O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

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Novos rumos na exploração do pré-sal: Bom para a Petrobras, bom para o Brasil

Na última quinta-feira, dia 7, após muito postergar, a comissão especial da Câmara que analisa mudanças na regra de exploração do pré-sal, finalmente aprovou o projeto de lei que determina o fim da obrigatoriedade da participação da Petrobras em novos blocos exploratórios da camada. A polêmica lei, apresentada pelo Senador licenciado José Serra (PSDB-SP), teve 22 votos a favor e apenas 5 contra, e agora segue para votação no plenário da Câmara dos Deputados, onde precisa apenas de maioria simples para ser aprovada, e assim seguir para sanção presidencial.

Desde que foi apresentado, ainda em 2015, o projeto do Senador tucano tem provocado forte resistência dos partidos atualmente na oposição (PT, PC do B e PSOL) e de centrais sindicais. O argumento, já bastante difundido, é que a aprovação de tal lei representaria um enfraquecimento da posição da companhia e poderia até mesmo atentar contra a soberania nacional. Mais uma bravata de grupos que insistem em um discurso nacionalista que não tem mais espaço nos dias de hoje.

A Petrobras, conhecida como orgulho nacional desde sua fundação ainda no Governo Vargas, hoje é a empresa mais endividada do mundo. Vítima por anos de uma política de preços irresponsável, acometida pelo roubo descarado de seus cofres, a companhia hoje junta seus cacos e tenta reescrever sua história. Sob o comando de uma nova direção e com a promessa de que não mais será utilizada de maneira política, a Petrobras hoje sonha recuperar sua posição e se tornar novamente uma das empresas mais respeitadas do mercado.

O projeto de lei que retira a obrigatoriedade da participação da companhia em novos blocos do pré-sal é um passo importante para isso. Hoje, é mandatório que a empresa tenha participação de ao menos 30% em todos os bloco, até mesmo naqueles que por ventura seu corpo técnico julgue não serem economicamente interessantes. Uma verdadeira aberração que hoje onera violentamente a companhia, especialmente em um momento onde ela passa por um rigoroso programa de desinvestimento. Com a nova lei, a Petrobras ainda mantém a prioridade na exploração desses blocos, mas passa a ter autonomia em seus investimentos, o que permite que a empresa apenas assuma aqueles que julgue serem vantajosos. Assim, a companhia sai ganhando em todos os aspectos e o país também, afinal abre-se mais espaço para que concorrentes se aventurem, aumentando a competição, atraindo investimentos, gerando empregos e divisas para o país, e beneficiando o mercado como um todo.

A verdade é que precisamos superar esse discurso nacionalista mesquinho que tanto empurra o país para trás. É necessário rejeitarmos por completo princípios rasos, medíocres e injustificáveis como esses, que trazem um ranço ideológico retrógrado completamente fora de época, em pleno século XXI. A Petrobras, assim como qualquer empresa, atende muito mais aos interesses nacionais, a medida que se torna mais competitiva no mercado internacional, algo que só é possível com a total desvinculação em relação a interesses político partidários. Que o primeiro passo tenha sido dado...

 

Café com Politik #2

E o ajuste fiscal, Temer?