O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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A armadilha petista por trás do embate com Moro

Em março desse ano, a Operação Lava Jato completou 3 anos de existência. Tida como um marco na história jurídica e política brasileira, a força tarefa, liderada pelo juiz Sérgio Moro, tem exposto com riqueza de detalhes, aquilo que sempre soubemos, mas ninguém ainda tinha tido coragem de denunciar: nosso sistema político-partidário está muito mais comprometido com interesses particulares do que com o interesse público. A corrupção é endêmica e é necessário que seja realizado um verdadeiro expurgo em Brasília.

Centenas de inquéritos já foram instaurados, dezenas de pessoas foram condenadas, diversos políticos influentes e grandes empresários estão na cadeia e bilhões de reais foram devolvidos aos cofres públicos, mas ainda assim, os trabalhos parecem ainda muito longe de chegar ao fim. Novas revelações surgem quase diariamente e os próximos depoimentos podem conceder contornos ainda mais dramáticos ao processo como um todo. Dentre esses depoimentos, existe um que tem merecido atenção especial da imprensa e da opinião pública.

Programado inicialmente para o último dia 3, o depoimento do ex-Presidente Lula no processo que investiga a aquisição do triplex no Guarujá, finalmente acontecerá amanhã. Envolto por uma enorme expectativa, o testemunho prestado por Lula, deve revelar muito pouco e portanto, esclarecer quase nada, mas ainda assim tem sido tratado pelo grande público como um momento decisivo do processo, afinal será a primeira vez que o ex-Presidente ficará frente a frente com o juiz Moro.

É esperado que haja uma grande mobilização de pessoas na cidade de Curitiba. Grupos ligados ao Partido dos Trabalhadores, a sindicatos e a movimentos sociais já confirmaram que irão as ruas para prestar sua solidariedade a Lula. Também são esperadas manifestações de apoio a Lava Jato e repúdio ao ex-Presidente. A segurança na cidade deve ser reforçada, afinal, o clima deve ser hostil e a possibilidade de confrontos tem sido potencializada até mesmo pelas recentes capas sensacionalistas de diversas revistas que promovem o depoimento de Lula como se fosse um embate pessoal com Moro.

A verdade é que esse ambiente é profundamente favorável a Lula e é tudo que seus partidários desejam. Desviar o foco e transformar um processo estritamente jurídico em uma batalha política faz parte da parte da estratégia de defesa do ex-Presidente, que pretende armar um circo, causar um caos e provocar um clima de guerra, dando assim força a estapafúrdia tese de perseguição política. É uma armadilha traiçoeira, uma tentativa desesperada e extremamente perigosa da cúpula petista e dos defensores de Lula.

Nos últimos dias, até mesmo o juiz Sérgio Moro gravou um video que se propagou nas redes sociais, pedindo para que aqueles que apoiam a Operação Lava Jato não participem de qualquer tipo de manifestação no dia de amanhã. Embora não creia que seja papel de um juiz federal se manifestar dessa forma, o conteúdo da mensagem é extremamente coerente. Nesse momento, é fundamental deixar que o processo corra seu curso natural, abandonar eventuais paixões e todo e qualquer viés ideológico, visando evitar maiores conflitos que a essa altura apenas favorecem ao réu em questão.

Fiquemos então atentos aos acontecimentos e que a Operação Lava Jato siga seu caminho, seja ele com Lula preso ou não. Nada é mais importante que isso nesse momento.

O cidadão de bem!

A Greve Geral e o caos