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A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

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O Circo

"Seria criminoso, não fosse um ato circense". Foi dessa forma que o Ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), definiu a manobra do Presidente interino da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão (PP-MA), que ontem pela manhã, determinou a anulação da sessão que havia aprovado a admissibilidade do processo de impeachment na casa, há menos de um mês atrás. O Ministro não poderia ter sido mais feliz em sua afirmação, e olha que ele ainda nem sabia que esse era apenas o primeiro ato desse patético capítulo, no conturbado processo de impeachment da Presidente Dilma Rousseff.

Waldir Maranhão, que substitui interinamente Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afastado por tempo indeterminado pelo STF, na Presidência da Câmara, segundo interlocutores, havia dito nos últimos dias, tanto a Presidente Dilma quanto ao vice Michel Temer, que iria surpreendê-los com seu desempenho no cargo. De fato surpreendeu, mas seus 5 minutos de fama e o que prometia ser uma reviravolta no processo de afastamento da Presidente, se tornaram um mico de proporções gigantescas.

A missão do Presidente interino da Câmara, que havia sido acertada mais cedo em reunião na casa do Advogado Geral da União, José Eduardo Cardozo, era ganhar mais tempo para o Governo. Com a votação no Senado, que pode levar ao afastamento da Presidente por pelo menos 180 dias, marcada para esta quarta-feira, dia 11, o Governo acreditava que a manobra obrigaria o Presidente da casa, Renan Calheiros (PMDB-AL) a adiar a sessão. Embora já se soubesse que a oposição iria reagir imediatamente e entrar com um recurso no STF, o que ninguém imaginava era que Renan não iria cumprir a determinação de Waldir Maranhão e se recusaria a devolver o processo para a Câmara dos Deputados. O plano assim fracassou, Maranhão ficou vendido e no final do dia já se falava até em cassação do seu mandato. Assustado com a repercussão, vendo a besteira que tinha feito e preocupado com o impacto no seu próprio mandato, ainda ontem, o deputado maranhense surpreendeu mais uma vez, recuou e revogou sua própria decisão.

A verdade é que a patetice de Waldir Maranhão é apenas um detalhe nessa história. O que ocorreu ontem expõe o desespero do Governo. Cooptar um deputado do chamado "baixo clero", acusado pela Lava Jato de ter recebido propina e que até outro dia fazia parte da Tropa de Choque de Cunha, para tentar reverter um processo já consumado na Câmara, demonstra a disposição do Planalto de tentar evitar o impeachment a todo o custo. Daqui para frente, vale tudo. O circo está armado. É esperar para ver. Mas não se surpreendam, essa gente é criativa demais e não há limites para sua canalhice.

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