O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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Não temos tempo a perder

Originalmente publicado em 05.04.2016

O Brasil é um país de riquezas e belezas naturais inestimáveis. Antes de 1500, não tenho dúvidas de que esse pedaço de chão era o que mais se aproximava do paraíso de Adão e Eva, com suas praias, montanhas, fauna e flora absolutamente desbundantes. A datar da visita dos primeiros portugueses, entretanto, vivenciamos percalços dos mais variados tipos que impedem a formação de uma pátria equânime, estável e desenvolvida.

Uma das frases mais conhecidas sobre nosso país é a de que somos o país do futuro...e sempre seremos. Tal constatação levava em conta as já mencionadas benesses intrínsecas do Brasil, aliadas ao vigor e juventude de nosso povo. Desde que a primeira parte da frase foi cunhada por Stefan Zweig no livro Brasilien, ein Land der Zukunft em 1941, até ter sido complementada por Charles de Gaulle com o segundo excerto não tão elogioso, sempre tínhamos a pirâmide etária a nosso favor.

Esta realidade, infelizmente, mudou. O chamado bônus demográfico ficou pra trás e em 2030 o crescimento da população brasileira cessará. Isto significa que em breve teremos os mesmos problemas envolvendo seguridade social e diminuição de produtividade que os países mais ricos do mundo estão experimentando hoje. A diferença fundamental é a seguinte: nações como Alemanha, Estados Unidos e Canadá, mesmo que precisem fazer reformas em seus programas sociais, já possuem um patamar de riqueza média altíssimo. Ademais, têm em seu favor ondas migratórias de populações mais jovens, que, se devidamente regulamentadas, podem contribuir para redução da idade média populacional e manutenção dos patamares de produtividade.

O caso do Brasil é inteiramente distinto. Além de termos muito mais gente interessada em emigrar do que imigrar, o envelhecimento da população ocorre em um contexto econômico-social distinto dos países centrais. Nossa renda média e índice de desenvolvimento são baixos e só poderiam ser elevados com um crescimento econômico continuado. O tombo de nossa economia é tão acentuado que irá fazer com que, literalmente, voltemos no tempo e tenhamos mais uma década perdida.

Este quadro nada favorável somente reforça a importância da retomada do crescimento econômico, algo que só será possível com liderança, responsabilidade, segurança jurídica e capacidade de seguir planos que devolvam a confiança perdida no país por investidores e por boa parte de seu povo.

Do contrário, envelheceremos antes de enriquecermos e, em poucas décadas, nos tornaremos o país outrora do futuro e nada mais...

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