O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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O desafio dos liberais no Brasil

 Adam Smith, pai da economia moderna e principal teórico do pensamento liberal

Adam Smith, pai da economia moderna e principal teórico do pensamento liberal

Na última semana, o ex-Presidente do Banco Central, Gustavo Franco, foi o convidado do programa Roda Viva, na TV Cultura. Pela terceira vez participando da atração, o economista da PUC-RJ analisou o atual cenário econômico, pontuou os principais desafios do país nos próximos anos, e colocou de forma clara e objetiva que o único caminho viável para voltarmos a crescer de forma sustentável é através da adoção de uma agenda liberal.

Tais ideias não surpreendem vindo de Franco, um dos principais expoentes do pensamento liberal no Brasil, e agradam ao mercado financeiro, aos empresários e a uma parcela considerável do meio acadêmico e da alta classe média. Um nicho interessante, mas que está longe de representar a maior parte da população brasileira, que parece ainda rejeitar de forma veemente tal discurso.

Mas por que as ideias liberais sofrem tamanha resistência no país? Por que até hoje nenhum partido com essa orientação criou raizes no quadro político nacional? Por que o brasileiro defende com tanta vontade o Estado que, no dia a dia, tanto o maltrata?

Quando questionado sobre o tema durante o Roda Viva, Gustavo Franco levantou uma questão bastante pertinente sobre o assunto. Uma observação perspicaz que trás à tona a relação do brasileiro com o Estado: nos acostumamos a entender que a resolução de nossos problemas cabe muito mais ao poder público do que a nós mesmos.

Trata-se de um fenômeno cultural que ignora os péssimos serviços providos pelo Estado e se baseia no assistencialismo, no clientelismo e em um suposto sistema de seguridade social, que promovem um falso sentimento de segurança e conforto, mas que na realidade apenas perpetuam essa relação de dependência.

Diante dessa dinâmica paternalista, consagrada na década de 1930 pelo Governo Vargas, a ideia de que o indivíduo é dono de seu destino e que a combinação de seu esforço e capacidade criativa é a força motriz das relações econômicas, foi renegada a um segundo plano pelo senso comum.

O pensamento liberal passou a ser mal visto e erroneamente associado, única e exclusivamente, aos interesses de capitalistas gananciosos e opressores. Uma tola associação, que mais parece vinda de histórias de bruxas, típicas de contos de fadas, e que trouxe aos liberais um desafio que há décadas tentam sem sucesso resolver.

Não há dúvida que o discurso de um Estado provedor, que nos assegura todas as nossas necessidades, é muito mais sedutor que a retórica liberal. Mas a historia brasileira mostra que a realidade é muito diferente da teoria. O Estado vem sistematicamente falhando em cumprir tal compromisso, e por isso, é fundamental reduzir esse senso de dependência. Mas a questão é como fazer isso, tendo em vista que essa é uma dinâmica que se retroalimenta há mais de 3/4 de século?

Não há outro caminho senão a conscientização popular quanto aos malefícios desse tipo de relação. É necessário que vençamos essa paralisia, saiamos da zona de conforto e façamos acontecer. 2018 está logo aí, e temos uma boa oportunidade de mostrar nas urnas que queremos mais autonomia e desejamos um Estado mais enxuto e eficiente, que foque seu investimento naquilo que realmente é seu papel:  infra-estrutura, saúde, saneamento básico, segurança pública e principalmente educação. Apenas dessa forma podemos virar essa chave e seguirmos o caminho de sucesso trilhado pela maior parte das grandes potências mundiais.

Educação religiosa nas escolas públicas, um atentado aos princípios fundamentais do Estado laico

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