O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

Seja bem vindo e, como tudo na vida, aprecie com moderação!

Presidente Donald Trump

Podemos questionar o resultado das eleições americanas. 

Podemos condenar as dezenas de declarações repreensíveis, estapafúrdias e preconceituosas emitidas por Donald Trump. 

Podemos discutir o próprio sistema eleitoral daquele país e o aspecto pouco democrático dos colégios eleitorais.

Colocando estes questionamentos de lado, entretanto, forçoso reconhecer que o resultado da votação nos Estados Unidos representa o mais importante acontecimento político das últimas décadas. Praticamente todas as pesquisas de opinião falharam retumbantemente.

O que explica a vitória do bilionário dos hotéis e campos de golfe? Acima de tudo, um sentimento de desesperança por parte do eleitorado tradicional de classe-média e classe-média baixa.

Um dos indicadores mais confiáveis para se projetar quem poderia vencer uma eleição presidencial americana até então era o índice de popularidade do atual presidente. Quando estava acima de 50%, as chances de uma vitória do candidato do mesmo partido seriam expressivas.  Obama, no momento, tem 55% de aprovação, mas isso de nada adiantou.

Já ficou claro que neste período eleitoral, não apenas nos Estados Unidos, como no mundo, ficaram fortalecidos os chamados "outsiders", aqueles candidatos sem uma bagagem política extensa. Em terras tupiniquins, tivemos a eleição de João Dória, com perfil semelhante ao de Trump, ainda que muito mais contido. 

Se a maior parte dos indicadores e prognósticos fracassaram, quando analisamos o contexto histórico da democracia americana, ainda é possível identificar alguns padrões que resistiram, dentre eles a alternância no poder. Nos EUA, é extremamente improvável que um partido, após oito anos no poder, consiga permanecer no controle da Casa Branca através de um novo representante. 

Assim foi com os Republicanos no caso de George W. Bush (filho), com os democratas e Barack Obama e na maior parte dos confrontos presidenciais das últimas décadas. A exceção relativamente recente foi quando George H. W. Bush (pai) se elegeu logo após Ronald Reagan em 1988, mesmo que para apenas um mandato.

Fato é que esta alternância é um pilar essencial da democracia em nações com modelos políticos semelhantes ao Brasil ou aos Estados Unidos. A permanência de um mesmo grupo no controle de um país presidencialista por três ou mais ciclos eleitorais resulta inexoravelmente em uma oxidação das instituições, que acabam contaminadas política e ideologicamente. 

Um exemplo claro disso está no IRS, a Receita Federal de lá, que há alguns anos passou a fiscalizar recintos conservadores com muito mais veemência, e mesmo no FBI, que no final da corrida presidencial em uma investigação relâmpago declarou que Hillary Clinton não cometeu crimes ao trocar e-mails confidenciais utilizando um servidor privado. Esta conclusão teve nítido viés político, já que os "Feds" levaram pouco mais de uma semana para analisar centenas de milhares de e-mails, enquanto a investigação anterior sobre um número muito menor de mensagens durou mais de um ano.

Some-se a isso a fraca recuperação econômica e a percepção de que Hillary nada mais é do que a representante-mor de Wall-Street e do "establishment" político tradicional, rodeada por denúncias de corrupção, relacionamentos ilícitos e recebimento de vantagens indevidas através de sua fundação. 

Motivos para a vitória de Trump, portanto, não faltaram. O que vimos foi uma verdadeira reação em cadeia da chamada "working class", ou da classe trabalhadora norte-americana. Além da vitória de Trump, os republicanos mantiveram maioria no Congresso, algo que será essencial para a governabilidade do futuro mandatário.

O que o presidente eleito realmente fará ou deixará de fazer é uma incógnita. A realidade é que o povo dos Estados Unidos surpreendeu o mundo com sua escolha. Para o bem da humanidade, espero que Trump nos surpreenda.

Café com Politik #5 - Donald Trump eleito Presidente dos EUA

As eleições municipais e o grande vencedor de 2016