O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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Regalias presidenciais brasileiras

O Brasil passa por um período de excepcionalidade, e isso não é novidade para ninguém. Embora o processo de impeachment da Presidente Dilma Rousseff esteja correndo de acordo com o rito estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), é correto afirmar que o atual momento foge a normalidade. Enquanto aguardamos o julgamento do mérito do impeachment no Senado Federal, o Brasil atualmente tem dois presidentes. Sim, é isso mesmo que você acabou de ler. Apesar de Michel Temer hoje ser o Presidente em exercício, Dilma Rousseff, mesmo afastada, mantém o status de Presidente da República.

Na prática, isso significa dizer que Dilma, embora não esteja exercendo o mandato, ainda possui uma série de regalias que vão desde a manutenção de diversos assessores até a sua permanência no Palácio do Planalto, residência oficial do Presidente da República. Entretanto, dada a já citada excepcionalidade, não há clareza de qual deve ser a extensão desses privilégios, e por isso mesmo inúmeros questionamentos tem sido feitos. Na última semana inclusive, o próprio Presidente em exercício determinou o corte de algumas regalias, causando uma reação imediata da Presidente afastada e seus aliados.

Dilma e alguns de seus principais interlocutores denunciaram que Michel Temer estaria a privando de seus direitos, restringindo seu uso de aviões da FAB e até mesmo cortando verbas destinadas a compra de comida para ela e seu staff. Temer rebateu dizendo que a interrupção é temporária, e durará apenas até que um parecer jurídico definindo a questão seja emitido. Assim o imbróglio ainda deve dar muito pano para manga e está longe de ser resolvido.

De qualquer forma, tal conflito trouxe a luz um questionamento muito mais importante que a mera conjuntura atual: Até onde devem ir os privilégios do Presidente da República? Quanto custa a estrutura em torno dele? Será que ela precisa custar tão caro?

Segundo reportagem do jornal O Globo, de 18/10/2015, o custo da Presidência da República em 2014 chegou a R$ 9,3 bilhões (210% a mais que em 2005), sendo R$ 747,6 milhões apenas com despesas do núcleo administrativo diretamente ligado a Dilma Rousseff. Desse total, R$ 390,3 milhões foram gastos com assessoria e serviços prestados à Presidente nos palácios onde trabalhava e residia durante suas viagens. Só para usar como parâmetro, a matéria menciona que a Rainha Elizabeth II e toda a estrutura da tradicional monarquia inglesa, custa aproximadamente a metade (R$ 196,3 milhões) desse valor.

O país passa por uma severa crise econômica e o brasileiro está sendo obrigado a apertar os cintos e cortar despesas. Nada mais justo que o governo faça o mesmo e dê o exemplo cortando na própria carne. Não há justificativa para conservarmos essa estrutura burocrática cara, ineficiente e cheia de regalias. É necessário um choque de gestão, um novo modelo de governança e principalmente uma mudança de paradigma na conduta da coisa pública: Estado grande nunca gerou, nem nunca gerará riqueza, sendo assim não há razão para que ele não seja enxuto, eficiente e barato.

 

A homofobia, a cristofobia e a falta de bom senso

O exemplo que vem de cima