O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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Incoerência esquerdista

Ontem, o sempre polêmico Deputado Federal Paulo Maluf (PP-SP) declarou que votará a favor do impeachment da Presidente Dilma. Até algumas semanas atrás, Maluf vinha se posicionando contrário ao afastamento de Dilma, mas segundo ele a maneira com que o Planalto vem negociando cargos com seu partido o fez mudar de idéia. Não precisou muito tempo para as redes sociais reverberarem o fato.

Defensores da Presidente logo iniciaram um ataque feroz ao ex-Prefeito e ex-Governador de São Paulo, lembrando diversas irregularidades em suas administrações públicas e principalmente o fato de não poder sair do país por ser procurado pela Interpol. Tudo muito justo, até porque o que não falta são acusações de mal uso de dinheiro público e suspeitas de enriquecimento ilícito. Mas porque essas críticas a Paulo Maluf ganharam essa proporção toda depois que ele decidiu votar a favor do impedimento da Presidente? Porque elas andaram esquecidas enquanto ele foi aliado do Partido dos Trabalhadores?

Em 2012, durante a campanha para Prefeito de São Paulo, Maluf protagonizou um dos momentos mais surpreendentes da história da política nacional, ao declarar apoio ao então candidato petista Fernando Haddad, com a benção do ex-Presidente Lula, é claro. O fato gerou mal-estar entre alguns petistas da ala mais radical e levaram Luiza Erundina, então no PSB, a abandonar a chapa em que seria vice. Haddad venceu e Maluf desde então manteve um relacionamento bastante amigável com o Governo de Dilma. Durante 4 anos esqueceram dele, mas bastou deixar de apoiar o Governo para voltar a ser o inimigo número 1 dos esquerdistas de Facebook.

A incoerência é inerente a esquerda. Se dizem democratas, mas historicamente, embora combatam governos autoritários de direita, apóiam ditaduras de esquerda como a dos irmãos Castro, que comandam Cuba a mão de ferro há mais de 5 décadas. Hoje, atacam o Presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) por ser réu em um processo que corre na Comissão de Ética da Casa. Cunha que é inimigo declarado do Planalto, será julgado por ter negado possuir contas de banco em seu nome no exterior. Por outro lado, pouco vemos se falar em Renan Calheiros (PMDB-AL), Presidente do Senado, investigado pela Procuradoria Geral da República em quase uma dezena de processos. Renan declarou por diversas vezes ser contrário ao afastamento da Presidente e atualmente é o principal interlocutor de Lula no PMDB.

Tratando-se de política brasileira e ainda faltando pouco mais de uma semana para a votação do impeachment, muita coisa ainda pode acontecer. Aliados podem se tornar inimigos, rivais seduzidos por cargos e é difícil hoje fazer um prognóstico preciso do resultado da votação. A única coisa que podemos ter certeza é que esquerdistas continuarão mantendo a coerência de ser sistematicamente incoerentes.

 

 

 

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