O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

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Eleições nos Estados Unidos, a nova direita europeia e a crise política no Brasil

Não há na história recente um exemplo comparável ao grau de desconfiança sentida por parte dos eleitores com relação aos chamados políticos tradicionais. Tal fenômeno é observado com mais clareza nos Estados Unidos e na Europa, mas também ocorre no Brasil.

Nos EUA, o excêntrico empresário e apresentador de reality shows Donald Trump está próximo de conquistar a nomeação pelo partido republicano para disputar a presidência. É difícil contabilizar o número de afirmações dantescas realizadas ao longo de sua campanha. Desde presumir que boa parte dos imigrantes mexicanos são estupradores, passando por não condenar imediatamente o apoio de ex-membros da KKK à sua campanha, tendo ainda defendido que as fronteiras dos Estados Unidos fossem fechadas para muçulmanos e, por fim, humilhado o senador John McCain por ser tido capturado na guerra do Vietnã, os exemplos são muitos.

Qualquer outro candidato dificilmente teria chances se cometesse uma destas gafes, o que dirá todas estas e mais umas cento e cinquenta...

É fato que os eleitores das primárias republicanas não representam a diversidade do colégio eleitoral dos Estados Unidos como um todo. Os comentários ofensivos de Trump já demonstram seu alto nível de rejeição entre jovens, mulheres, negros e hispânicos. Ainda que seja improvável que Donald J. Trump chegue ao posto de homem mais poderoso do planeta, a verdadeira ojeriza de parcela significativa do eleitorado conservador norte-americano à política é assustadora. Candidatos muito mais capacitados do que Trump ficaram pelo caminho unicamente por já terem sido governadores, senadores ou por, em algum momento passado, terem conversado ou feito acordos com o governo de Barack Obama.

No outro lado do Atlântico e de modo semelhante ao fenômeno Trump, partidos bem mais à direita ganharam espaço significativo nas últimas eleições não apenas na França e Alemanha, mas também em diversos países do leste europeu. As posições taxativamente anti-imigração e anti-islã, recheadas por ataques ao modo tradicional de fazer política são, sem dúvidas, as maiores responsáveis pelo sucesso do Front National, de Marine Le Pen, ou do Alternative für Deutschland - AfD, de Frauke Petry.

O caso da Alemanha é especialmente interessante já que o país como um todo vive um bom momento econômico, o que usualmente reduz a efetividade de discursos nacionalistas e, em alguns casos, xenofóbicos. O clima de tensão causado por atentados terroristas reiterados em países vizinhos e a frustração com a resposta dos atuais mandatários para a crise de refugiados, entretanto, parecem ter aberto espaço para o AfD, principalmente entre a população rural e de classe média-baixa de estados da antiga Alemanha oriental.

Ou seja, tanto na Europa, como nos EUA, a sensação de que os representantes atualmente eleitos deixaram de se preocupar com o cidadão comum dá a tônica para o surgimento de forças do que pessoalmente considero não serem o melhor exemplo do ideário conservador.

Descendo para o Brasil, é possível identificar o mesmo ódio aos políticos tradicionais partindo de alguns segmentos de nossa sociedade. Além desta ser uma tendência entre classes médias altas urbanas, ao contrário dos outros países aqui citados, a diferença fundamental que vejo entre as três regiões é a seguinte: americanos e europeus possuem algumas boas alternativas quando o assunto são quadros políticos capacitados dentro dos partidos tradicionais, nós não.

As maiores lideranças políticas do país estão envolvidas em investigações por desvios de todos os tipos e não oferecem qualquer resposta factível para a crise que paralisa a nação. Em outras palavras, há um sentimento real de indignação contra o modo tradicionalmente corrupto de se fazer política no Brasil. O exemplo mais recente é o verdadeiro “varejo de cargos” realizados por nossa Presidente para inviabilizar o seu impedimento. Medidas como esta apenas alimentam a perigosa ideia de que há uma saída fora da política e da democracia. Não há. Precisamos, urgentemente, rever nosso modelo político-eleitoral, o que não significa renegar a política e os políticos por completo.

É fundamental que esta situação degradante pela qual estamos passando fomente uma nova geração de líderes que ajudem a reconstruir a imagem da atividade política no Brasil. Do contrário, teremos como consequência nas próximas eleições a viabilidade de candidatos como Jair Bolsonaro, que tal qual Donald Trump nos EUA, encontra eco em certos segmentos da população utilizando uma linguagem neopopulista, mas que não oferece nenhuma solução concreta para os problemas estruturais do Brasil.

Incoerência esquerdista

As novas forças políticas do Brasil