O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

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Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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Mais uma vez: a política

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Eu já escrevi isso aqui algum tempo atrás, mas vale repetir.

Nas primeiras décadas de 1500, o primeiro pensador da política moderna, o italiano Nicolau Maquiavel, disse: “A política pode não nos levar aos céus, mas sua ausência é pior do que qualquer inferno”.

A diferença entre Michel Temer e Dilma Rousseff é gritante na arte de fazer política.

No livro O Príncipe, escrito em 1513, o autor florentino já escrevia que ao conquistar um Estado, o príncipe deveria “avaliar rapidamente todas as violências que lhe são necessárias cometer e cometê-las de um golpe só”.

E continua:

“Pois as violências devem ser feitas todas em conjunto para que, dispondo-se de menos tempo para provar seu gosto, pareçam menos amargas; os benefícios devem ser concedidos pouco a pouco para que sejam bem saboreados”

Percebam que a genialidade de Maquiavel está justamente na forma de exaltar o timing da política.

Ao assumir o exercício da presidência, antes mesmo do impeachment e de ser - de fato - empossado, Michel Temer já mudou todo o ministério, mudou todo o direcionamento da política econômica, já começou a escrever projetos de lei antipopulares, fez jantares com dezenas de deputados e senadores para aprovar algumas medidas e, quando preciso, tirou os ministros que foram expostos pela mídia em algum escândalo da Lava Jato.

Tudo vapt-vupt. Muito disto antes de ser presidente empossado.

Eu não me lembro de alguma notícia de a Dilma oferecer um jantar para negociar algum projeto de lei com deputados e senadores.

Sou contra em muitas das medidas propostas pelo governo Temer, mas ele está fazendo política. Coisa que a Dilma não fez e por isso perdeu seu principado.

Conforme Maquiavel ensinou, Michel Temer fez todos os movimentosbruscos que eram necessários para apaziguar seus governados, agradando ou não aliados e opositores. E agora, em doses homeopáticas, ele vai adocicando a boca de seus aliados sem maiores dores de cabeça.

Ele era vice presidente da Dilma, mas se a Dilma não conseguia mais reinar, então ele se transformou na negação da Dilma. Mudou tudo e agora está aí nomeando Moreira Franco para ministro da Secretaria Geral da Presidência e Alexandre de Moraes para ministro do STF.

Sem panelaço e nem multidão na avenida paulista.

Da mesma forma que Lula indicou o ministro Dias Toffoli para o STF, ex advogado da CUT, o Michel Temer também pode indicar quem bem entender e, numa tacada só, ao indicar Moraes - filiado ao PSDB - para a mais alta corte do Brasil, ele adocicou a boca de quem o PMDB deve compor uma chapa em 2018 e, ainda mais, pode frear o ímpeto das condenações de políticos pela Lava Jato.

É óbvio que todas as indicações ao STF são enviesadas por interesses políticos, ou alguém imagina a Dilma nomeando o Gilmar Mendes?

A questão que estou propondo para reflexão neste texto é a forma e as conseqüências dos atos da nossa forma tupiniquim de presidencialismo.

Trata-se de uma forma paternalista, personalista e patrimonialista e que requer muita negociata.

Dilma não soube jogar esse jogo.

Maquiavel estaria orgulhoso de Michel Temer.

Repetindo os erros do PT

Tempos sombrios