O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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Judith Butler e a Intolerância Social

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A ideia deste texto não é escrever sobre os conceitos de gênero formulados pela Professora da Universidade da Califórnia, Judith Butler, que veio ao Brasil nesta semana para uma série de eventos.

A ideia deste texto é buscar refletir porque tantas pessoas nem, ao menos, toleram debater a emancipação feminina na sociedade contemporânea.

O processo de emancipação feminina não tem mais volta e não enxergar isso é não compreender a história da humanidade como um processo que está acontecendo NESTE MOMENTO.

Judith Butler foi muito assertiva em sua conferência ao dizer que “o ataque ao gênero emerge do medo das mudanças” e em uma entrevista a um jornal online que “o conservadorismo traz segurança e deixa as pessoas numa zona de conforto”.

Para compreendermos o nascedouro deste “ataque ao gênero”, ao qual a professora se refere, vale recorrer a um livro chamado “A origem da família, da propriedade privada e do Estado”, em que um barbudo inglês afirma que a primeira divisão social do trabalho ocorreu quando a espécie humana separou as tarefas entre os homens que iam caçar e as mulheres que ficavam cuidando da prole e colhendo comida perto de casa.

Esta divisão fez com que o homem tivesse uma dimensão de explorar e se apropriar do mundo, enquanto a mulher ficava numa dimensão mais local “dentro de casa”. No entanto, nesta divisão não havia uma hierarquização das tarefas (o que é mais ou menos importante), mas, sim, uma relação de mútuo ajuda, onde cada atividade se encontrava intimamente ligada as necessidades vitais da espécie humana.

O grande ponto de inflexão deste movimento histórico se deu com o transcorrer do desenvolvimento do cristianismo na sociedade ocidental, que estabeleceu a figura masculina como sendo a do condutor/salvador da humanidade.

Isto durou séculos e nós acabamos naturalizando algo que foi construído socialmente.

Não é natural a mulher ser secundária no desenvolvimento da espécie humana. Isso faz parte de uma sociedade que foi constituída a partir de valores morais e éticos que nós mesmos produzimos.

Nós, homens, subjugamos as mulheres a uma condição de subordinação social. Assim como nós, brancos, subjugamos os negros a uma condição de subordinação social. Assim como nós, heterossexuais, subjugamos homossexuais a uma condição de subordinação social e assim sucessivamente.

Segundo Karl Popper, um filósofo austríaco, nossa sociedade vive um paradoxo que deve ser enfrentado com muito empenho. Nós não podemos tolerar os intolerantes. Para ele, não tolerar o intolerante não é anti-democrático, mas, sim, o contrário, ou seja, é o que há de mais democrático a ser feito.

A sociedade patriarcal, machista, racista, homofóbica etc precisa acabar e nós devemos compreender que no futuro da história não caberá relações de subordinação socialmente construída.

E, neste sentido, ouvir Judith Buttler só pode nos fazer bem.

Uma questão de caráter

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