O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

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E o ajuste fiscal, Temer?

O governo de Michel Temer sequer completou dois meses e já é possível verificar que o Presidente em exercício não terá vida fácil. Embora tenha conquistado vitórias importantes no Congresso e algumas escolhas de seu gabinete tenham agradado aos analistas políticos e ao mercado, Temer até agora pouco avançou nas reformas econômicas e no ajuste fiscal tão necessários para o país. Mesmo diante de uma crise econômica sem precedentes, o Presidente em exercício tem vacilado na hora de colocar em prática algumas medidas essenciais para estancar a crise e recuperar o crescimento.

Tal posicionamento porém, não condiz com o discurso adotado pelo novo governo ao assumir o poder em meados de maio. Aquela altura, Temer, o então Ministro do Planejamento, Romero Jucá, e o Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles apresentaram um discurso alinhando e alertaram para a necessidade de um iminente corte de gastos públicos. Alardeando um rombo ainda mais grave que o esperado nas contas públicas, conseguiram junto ao Congresso, rever a meta fiscal para algo que consideravam mais realista. De imediato foi anunciado um corte de 4 mil cargos comissionados. E foi só...

Desde então, o governo tem surpreendido e demonstrado um certo descompromisso com o tão esperado ajuste fiscal. Depois de conceder um aumento para parte do funcionalismo público, com um impacto de pelo menos R$ 58 bilhões até 2019, Temer anunciou na última semana um aumento no valor do benefício do Bolsa Família superior aquele que já havia sido anunciado por Dilma Rousseff nos últimos dias de seu governo. Além disso, diante da crise financeira dos estados, o Presidente em exercício, renegociou parte de suas dívidas e distribuiu R$ 742,8 milhões para estados e municípios aplicarem na educação básica. O "Pacote de Bondades", como a imprensa já vem chamando, deverá causar um impacto superior a R$ 125 bilhões nos cofres públicos.

É evidente que Michel Temer será obrigado a fazer diversas concessões em nome da governabilidade. Sem o apoio popular, ele precisa formar uma base parlamentar que lhe confira uma posição mais confortável no Congresso Nacional. Dilma Rousseff caiu exatamente por ter perdido essa condição. Entretanto, o Presidente em exercício não pode permitir que tais concessões se tornem incompatíveis aos próprios interesses do país. E hoje, nada é mais importante que equacionar o grave rombo nas contas públicas.

Ainda é cedo para dizer que o novo governo falhou nessa proposta, mas é deveras preocupante observar até agora pouca coisa concreta foi feita. Qualquer hesitação nesse sentido pode ser interpretada pelos agentes de mercado como um descompromisso do governo em fazer aquilo que precisa ser feito. E para o país voltar a atrair investimento, crescer e gerar empregos é absolutamente mandatório que se reduza o custo do Estado. Não há escapatória. O governo precisa cortar na própria carne...

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