O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

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As novas forças políticas do Brasil

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E mais uma vez acordamos com notícias bombásticas proporcionadas pela Operação Lava Jato. De acordo com a Folha de São Paulo, Otávio Marques de Azevedo, ex-Presidente de empreiteira Andrade Gutierrez, revelou em seu depoimento à força tarefa o pagamento de propina na forma de doação eleitoral para as campanhas presidenciais de Dilma Rousseff em 2010 e 2014. Não há mais saída para esse governo. As provas são muito contundentes. Mesmo que escape do impeachment nas próximas semanas, não há como evitar o processo de cassação da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Frente a esse quadro, é natural que imaginemos que muito em breve possamos ter novas eleições para Presidente da República. Mas a pergunta que fica no ar é: qual seria o resultado se tivéssemos um novo pleito ainda esse ano? Quem seriam os candidatos? É possível que o PT possa ressurgir através de uma candidatura do ex-Presidente Lula? As perguntas são muitas e as respostas ainda incertas, mas vale um exercício de imaginação.

Diante do quadro de esfacelamento do lulopetismo no Brasil, é natural que imaginemos que o PSDB, maior rival petista nos últimos 20 anos, seria o principal beneficiado. Após derrotas em 2002, 2006 e 2010, os tucanos chegaram muito perto de vencer as eleições de 2014. Já enfrentando os primeiros desdobramentos da Lava Jato e diante de sinais claros de forte desaceleramento econômico, Dilma Rousseff foi reeleita com uma margem de pouco mais de 3% dos votos válidos. Aécio Neves, candidato tucano, perdeu, mas saiu com um capital político considerável ao obter 51 milhões de votos no Segundo Turno. Aécio tinha tudo para ser o principal protagonista da oposição e favorito em caso de novas eleições, mas a realidade não é bem assim.

O PT é sem dúvida o partido mais atingido pela Operação Lava Jato. Os danos para a imagem do partido são inegáveis e é difícil imaginar que não seja impactado fortemente nas urnas. Acontece que seu maior rival não soube aproveitar o momento. Dividido entre a turma de Geraldo Alckmin, Governador de São Paulo, a do Senador José Serra e também a de Aécio, o partido teve atuação tímida na oposição ao governo desde a derrota nas urnas em 2014. Mesmo diante do aprofundamento da crise econômica, dos novos fatos revelados pela Lava Jato e da baixíssima popularidade da Presidente Dilma, o PSDB demorou muito para se posicionar favoravelmente ao impeachment. Até alguns meses atrás, o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, principal liderança do partido, ainda insistia que Dilma era uma pessoa "honrada" e que era "prematuro" falar em impedimento da Presidente.

Talvez motivado pelo seu próprio envolvimento nos escândalos revelados pela Lava Jato, afinal o próprio Aécio Neves e outros importantes caciques tucanos foram citados por diversos delatores, o PSDB marcou passo. Hoje tenta correr atrás do prejuízo, mas seu tardio apoio ao impeachment é visto por muitos como oportunista. Recentemente, em manifestação de repúdio ao governo, Aécio e Alckmin foram vaiados e tiveram que se retirar do evento na Avenida Paulista, enquanto nomes como do Senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) e do polêmico Deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) tiveram boa aceitação entre os manifestantes.

Diante do cenário de desilusão com a classe política e com as lideranças tradicionais, ganham força discursos mais extremados tanto no espectro da direita quanto da esquerda. Bolsonaro, conhecido por defender o Golpe Militar de 1964, aparece com cerca de 10% em diversas pesquisas de intenção de voto, enquanto a ala radical do PT e outros partidos de esquerda clamam por uma "saída à esquerda" da crise. Mas será que isso significa que o próximo Presidente da República será um radical? Muito provavelmente não. Candidatos desse tipo tem um nível de rejeição alto, podem até chegar a um segundo turno, mas dificilmente venceriam o pleito. O que eles certamente farão é tirar votos de candidatos das forças mais tradicionais como o PT, o PMDB e o PSDB, abrindo espaço para Marina Silva (REDE-AC), possivelmente a maior beneficiária de toda essa crise.

A ex-senadora traz consigo duas expressivas votações nas disputas eleitorais de 2010 e 2014, quando em ambas obteve a terceira colocação. Adotando um discurso moderado, e se apresentando como uma espécie de 3ª via, Marina desde o princípio tem se colocado contrária ao impeachment e favorável a cassação da chapa que elegeu a Presidente Dilma. Sua aposta é que nessa conjuntura atual de enfraquecimento das lideranças dos principais partidos, ela consiga ser uma alternativa tanto para eleitores de direita quanto de esquerda que rejeitam novas forças radicais. Uma pergunta porém fica no ar: Será que Marina realmente representa esse pensamento moderado? Muita gente duvida, mas isso é tema para um próximo post.

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