O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

Seja bem vindo e, como tudo na vida, aprecie com moderação!

Algumas considerações sobre o contexto político atual

Temer tem cometido trapalhadas atrás de trapalhadas. A última foi sua postura titubiante frente àqueles que esperavam uma postura forte de um chefe de Estado que emprestasse algum alento a corações destroçados por uma das maiores tragédias dos últimos tempos no Brasil (me refiro ao desastre aéreo com o time do Chapecoense e sua equipe de jornalismo, comissão técnica e outros que os acompanhavam).

A dança das cadeiras ministeriais com a qual lidou de forma reticente e vacilante demonstra também sua insegurança ao ter que enfrentar temas que precisarão do aval da opinião pública ou, no mínimo, de seus colegas parlamentares. Temer é muito melhor em articulações nos bastidores da política do que em dar respostas à sociedade.

Sua postura quase que intransigente com relação à PEC 55 (ao se negar a negociar com o congresso uma solução que não inflame ainda mais os ânimos de parte da sociedade ainda insandecida por conta do "golpe") e sua omissão em relação à anistia do caixa dois, demonstra duas possibilidades: a primeira de que ele não esteja sabendo lidar com nenhuma das duas situações; a segunda de que ele esteja se omitindo, contando com o fato de que a poeira irá baixar em breve.

A saída do povo às ruas também o assusta e ele demonstra uma espécie de estado de paralizia (fenômeno comum ao ser humano quando se vê diante de situações extremas em que o medo o congela e o impede de enfrentar "feras ameaçadoras"). Se à Dilma faltava habilidade para lidar com estas situações  (e à Lula sobrava), a capacidade de Temer parece completamente nula.

Com a saída da sociedade às ruas, a impossibilidade dialógica volta com tudo e as contendas exaltadas terão certamente consequências trágicas. Se há algo que não precisamos é a volta da guerra entre "coxinhas" e "petralhas" (isto ainda terá um desfecho desastroso - justiça com as próprias mãos para dizer o mínimo [como o pai que matou o filho e se suicidou por conta de diferenças ideológicas])

Os atores do Judiciário agem como os dono da bola (só tem pelada se ganharmos), remontando os tempos "áureos" em que os bacharéis do Direito exerciam um poder além do razoável sobre as demais instâncias da República tripartite. Talvez a sociedade continue como uma massa amorfa (para lembrar Oliveira Vianna), nas mãos de poderosos incapazes de forjar caminhos em direção a uma democracia liberal, num país que acreditou, de forma empolgada, que havia resolvido o problema da unidade nacional.

A crise economica volta a se agravar (ao invés de se recuperar, como esperavam os economistas pró-impeachmeant). Os indicadores economicos (como o revés no crescimento do pib, da queda da inflacao e da taxa selic para 2017) já assustam novamente o mercado internacional e o faz recuar diante de um cenário de turbulência e insegurança.

Ao que parece a saída não será endógena, ou seja, não partirá do Estado. As ações dos movimentos sociais parecem também não encontrar reflexo ou ressonância nas grandes frações da sociedade e nenhuma mudança vem se cristalizando neste sentido, até porque falta vontade política dos membros do governo para isso.

São necessários novos atores políticos capazes de capitanear novas construções de consensos no âmbito político, econômico e midiático

Talvez seja hora da sociedade civil se engajar na política institucional e tentar reverter a situação caótica através dos instrumentos que a democracia contemporánea nos oferece.

Rafael Marchesan Tauil é sociólogo, mestre em Ciências Sociais pela UNIFESP, doutorando em Ciência Política pela UFSCar e professor universitário.

 

Nem sempre uma imagem vale mais que mil palavras

O Poder Judiciário e o Ministério Público não irão salvar o Brasil