O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

Seja bem vindo e, como tudo na vida, aprecie com moderação!

Bolsa Família e a proposta de renda mínima na Suíça: É possível traçar algum paralelo?

Volta e meia, em meio ao intenso debate político que tomou conta do país nos últimos anos, o Bolsa Família tem sido objeto de profundas discussões nas mesas de bar e nas redes sociais. Menina dos olhos do PT e principal conquista dos governos Lula e Dilma, o programa teve um papel importante na retirada de milhões de famílias da pobreza absoluta, mas constantemente é alvo de críticas, principalmente em função do seu caráter quase permanente e da sua utilização com fins políticos.

Enquanto debatemos isso, no Velho Continente, no último domingo, dia 5, os suíços foram as urnas para decidir se desejavam que o governo garantisse uma renda mínima de 2.500 francos suíços (equivalente a R$ 9 mil) para todos os cidadãos do país. O resultado surpreendeu muita gente: a maioria esmagadora dos eleitores (77%) disse não a proposta. Não demorou muito tempo, para que os críticos do Bolsa Família começassem a fazer analogias entre o fracasso da proposta suíça e o principal programa de renda brasileiro Mas será que há realmente alguma semelhança? É possível traçar algum paralelo entre os dois programas?

A verdade é que Brasil e Suíça tem muito pouco em comum. Enquanto ainda possuímos indicadores sociais muito ruins, os suíços podem se orgulhar de morar em um país rico e com um dos melhores índices de desenvolvimento humano do mundo, atrás apenas da Noruega e da Austrália. Com renda per capita de cerca de US$ 59 mil (aproximadamente R$ 200 mil) e apenas 4% da população desempregada, um programa de renda mínima na Suíça, de fato parece pouco necessário, realidade completamente diferente do nosso país. De qualquer forma, chama atenção a consciência do povo suíço nessa decisão. Quem não gostaria de receber R$ 9 mil por mês de graça? Acontece que o suíço já entendeu que esse dinheiro não viria graça. Quem pagaria a conta por esse programa, acabaria sendo ele mesmo. Conta que no Brasil, em 2016, está custando R$ 29 bilhões ao contribuinte.

Não há como negar a importância do Bolsa Família, afinal, segundo dados do IBGE, o programa hoje já beneficia mais de 47 milhões de pessoas, ou seja, quase 25% da população brasileira. Como dizia o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho: "Quem tem fome, tem pressa", e assim sendo, é ótimo que o Bolsa Família esteja atingindo seu propósito de botar comida na mesa e dar um pouco de dignidade aos mais desfavorecidos. Mas será que isso é suficiente? Analisando os dados, desde o início do programa, ainda no Governo Lula, verifica-se que o número de pessoas dependentes do Bolsa só tem aumentado. Não há um planejamento bem feito que proporcione aos beneficiários uma "porta de saída" do programa. Será então que o Bolsa Família não deveria possuir algum tipo de programa de qualificação profissional e de inserção dos beneficiários no mercado de trabalho?

Certa vez, o ex-Presidente norte-americano Ronald Reagan disse: "Devemos medir o sucesso dos programas sociais pelo número de pessoas que deixa de recebê-lo e não pelo número de pessoas que são adicionadas". Como de costume, ele estava certo. Assim, é absolutamente vital que o Bolsa-Família seja aperfeiçoado, se torne mais eficiente, apoie o beneficiário na reinserção no mercado de trabalho, e que dessa maneira, tenha caráter realmente transitório. Essa é a única forma de efetivamente reduzir a dependência do cidadão em relação ao Estado, assim como de minimizar o peso que acaba recaindo sobre o contribuinte, afinal, como dizia a ex-Primeira Ministra britânica Margaret Tatcher: "Não existe essa coisa de dinheiro público, existe apenas o dinheiro dos pagadores de impostos." Essa lição os suíços já entenderam.

 

 

Hillary Clinton x Donald Trump

Ela vai brilhar