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A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

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O desprezo à democracia

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Na última sexta-feira, dia 1º de abril, a Presidente Dilma Rousseff proporcionou mais um espetáculo lamentável de desrespeito às instituições democráticas. Durante um evento que celebrava a desapropriação de terras visando a reforma agrária, Dilma voltou a atacar o processo de impeachment que está em andamento no Congresso Nacional, e mais grave que isso, se calou quando Aristides Santos, secretário de Finanças da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) fez graves ameaças a ordem pública.

A postura de Dilma não chega a ser novidade. Durante as eleições presidenciais de 2014, a Presidente por diversas vezes "confundiu" seu papel de Presidente com o de candidata à reeleição e transformou eventos oficiais em palanque eleitoral. Diante do iminente impedimento, o Governo voltou a utilizar desse expediente com bastante frequência. Sempre diante de platéias cuidadosamente selecionadas, Dilma tem utilizado esse espaço para defender seu governo, atacar a oposição e o Juiz Sérgio Moro e tentar caracterizar como "golpe" um processo que é legitimo e tem transcorrido de acordo com o que a Constituição Federal prevê.

Podemos até relevar o fato de estar havendo um claro desvio de função da Presidente da República em eventos oficiais. Ela está acuada, seu governo em frangalhos e seu mandato parece estar com os dias contados. Deparada com esta situação, tenta uma última e desesperada cartada. Absolutamente inaceitável, entretanto, que em um evento dentro do Palácio do Planalto, diante da autoridade maior do país, ameaças de invasões a propriedades e até gabinetes de autoridades sejam admitidas. Dilma e o governo passaram de todos os limites e mostram que o espírito guerrilheiro da Presidente continua bem mais presente do que se imagina.

Dilma nunca foi uma democrata. Durante a campanha eleitoral tanto em 2010 quanto 2014, utilizou-se da estratégia de explorar seu passado guerrilheiro e vender o peixe de que havia lutado pela liberdade e pela democracia no Brasil durante o Regime Militar. Mentira! Integrante do grupo guerrilheiro VAR-Palmares, Dilma de fato lutou contra a Ditadura Militar, mas nunca visou a volta do sistema democrático. São fatos históricos, não há como negar. O VAR-Palmares, assim como outros diversos grupos armados que lutavam contra o governo militar, sonhava em implementar uma ditadura do proletariado. Diversos ex-membros de grupos semelhantes, como os ex-deputados Fernando Gabeira e Eduardo Jorge já confirmaram isso em mais de uma oportunidade.

O fato de ter feito parte de um movimento guerrilheiro que sonhava com uma ditadura do proletariado em si só não significa nada. Eram outros tempos, vivíamos um Regime Militar opressor e a União Soviética era em tese um exemplo de sucesso de um regime socialista. Milhares de jovens se encantaram com o Marxismo e tinham o médico argentino Ernesto "Che" Guevara como ídolo maior. O que diminui o currículo de Dilma e me parece um sinal claro do seu desprezo pela democracia é o fato dela não admitir isso publicamente e vender durante anos de maneira oportunista uma imagem de uma Dilma que nunca existiu. Esse tipo de comportamento evidencia que aquele capítulo de sua vida não está superado e que suas convicções permanecem as mesmas. Assim, não surpreende em nada que hoje ela chancele ações dos chamados "movimentos sociais" que atentam violentamente contra a democracia e o Estado de direito.

É fundamental que estejamos atentos ao desdobramento desses fatos e que as forças de segurança garantam que não ocorra qualquer tipo de excesso, de qualquer que seja o lado. Pressões semelhantes vindas de grupos favoráveis ao impeachment também ocorreram quando cartazes foram colocados em frente a casa do Ministros do Supremo Tribunal Federal Teori Zavarscki. Parlamentares e magistrados devem ser cobrados diariamente de maneira intensa e incessante, mas sempre dentro da legalidade para que possam ter a tranquilidade de tomar as decisões necessárias para superarmos a crise. Qualquer coisa que ultrapasse esses limites é crime e deve ser punida com todo o rigor da lei. 

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