O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

Seja bem vindo e, como tudo na vida, aprecie com moderação!

HUMANS

Monkey_man.jpg

Por que somos tão ruins?

Parafraseando uma amiga minha: “Para sociólogos, cientistas políticos e antropólogos, a sociedade é o laboratório e os homens são os ratinhos”.

Desde os primeiros pensadores, que analisavam a sociedade e a conduta do homem, uma pergunta se faz freqüente: há uma natureza humana?

Um dos pais da Sociologia, o francês Émille Durkheim, em um dos seus clássicos livros “As Regras do Métodos Sociológico”, nos faz uma pergunta muito pertinente:

“O que aconteceria se deixássemos um recém nascido se desenvolver sem nenhum tipo de influência externa? Que tipo de ser humano ele se transformaria?”.

Todos e todas que vão estudar as formas sociais que os homens se organizam acabam se deparando com tal pergunta, e ela tem me atormentado muito nos últimos dias.

Por volta de 1500, Nicolau Maquiavel, afirmava que o homem é ruim por natureza. E pior, o homem é ingrato, volúvel, fingido e dissimulado.

Assim como Maquiavel, o inglês Thomas Hobbes escreveu no século seguinte que “o homem é o lobo do homem” e o instinto de conservação humana faz com que o homem viva em um eterno estado de guerra e competição (reparem que são escritos dos séculos 1500 e 1600).

Para o francês Jean-Jacques Rousseau, que escreve no século de 1700, influenciado pelas idéias do iluminismo, o homem é bom por natureza, mas a sociedade o corrompe.

Para Rousseau, o homem, no seu estado mais selvagem, ao ser colocado em confronto com outro homem (na disputa por uma mulher, por ex.), já o torna corrompido, ganancioso, avarento e invejoso. Ou seja, apenas por ter que lidar com qualquer tipo de oposição, o homem desfigura sua natureza de bondade.

Retomo a pergunta base deste texto: como seríamos se tivéssemos nascidos e nos desenvolvidos sem nenhum tipo de influência externa?

Quem aqui nunca cometeu uma maldade ou nunca prejudicou alguém?

Quem aqui nunca machucou alguém e sabia que o estava fazendo?

Geralmente eu tento escrever questões sobre a Grande Política ou a Pequena Política (nos termos gramscianos), mas neste texto não se trata disto.

Estou tentando falar do nosso ímpeto mais íntimo.

Na hora do vamos ver, a gente consegue agir sem absolutamente nenhum tipo de interesse pessoal?

Até os mais franciscanos, os desapegados da vida mundana, livres de espírito e os mais altruístas dos homens, no fim das contas agem por buscar alguma “verdade/paz” que acreditam que possam alcançar ou por uma suposta vida feliz pós morte.

Nem mesmo os cientistas da sociedade, como os citados no início deste texto, que conhecem os vícios e virtudes dos ratinhos que analisam, estão livres de cometerem os mesmos erros que eles próprios identificam em seu laboratório social.

Eu não acredito mais na gente.

O desafio dos liberais no Brasil

A macroeconomia e o "povão"