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A eleição de Dória e a agonia petista

Bruno Poletti/Folhapress

Bruno Poletti/Folhapress

Em toda a história, poucas campanhas eleitorais foram tão surpreendentes como a disputa para a prefeitura de São Paulo, realizada no ultimo domingo, dia 2. Contrariando todos os prognósticos, João Dória (PSDB) protagonizou uma arrancada extraordinária e sem precedentes. Em cerca de um mês saiu da 5ª colocação nas pesquisas para vencer ainda no primeiro turno o pleito, e assim ser eleito o novo prefeito da maior e mais rica cidade do país.

Para conquistar a vitória, o candidato tucano teve que vencer a desconfiança provocada por sua pouca experiência política e até mesmo enfrentar questionamentos em relação a seu patrimônio. Luiza Erundina, candidata do PSOL, por exemplo, durante um debate, chegou a questionar o valor de IPTU que Dória pagava por sua casa, buscando causar-lhe algum tipo de constrangimento devido à sua condição social. O tucano, entretanto, tratou de virar o feitiço contra feiticeiro, e apresentou seu sucesso profissional como seu portfólio, algo que não lhe causava embaraço, mas sim era motivo de orgulho e que de quebra lhe proporcionava bagagem suficiente para concorrer ao cargo.

Não há dúvidas que sua campanha foi muito bem conduzida, porém em circunstâncias normais, uma vitória acachapante e meteórica como essas nunca teria sido possível. A verdade é que o triunfo de Dória se deveu fundamentalmente a rejeição do paulistano ao petismo. Em uma campanha onde 3 de seus opositores (Fernando Haddad, Marta Suplicy e Luiza Erundina) tinham sua história política intrinsicamente ligada ao Partido dos Trabalhadores, Dória se apresentou como a principal força antagônica ao partido que governou o país nos últimos 13 anos. Explorando a crise econômica e a baixa popularidade da ex-Presidente Dilma, o candidato do PSDB trouxe o debate nacional para o palanque em São Paulo e não se furtou a entrar até mesmo no embate direto com o ex-Presidente Lula. Dessa forma conseguiu evitar que seus adversários descolassem suas imagens do partido que os criou, e que nesse momento se apresenta tão desgastado. Haddad, Erundina e Marta foram derrubados acima de tudo por sua história petista.

O PT entrou em colapso e o resultado nacional provou isso. Reduzido a 60% prefeitos a menos que em 2012, a legenda, antes símbolo maior da esquerda no Brasil, agoniza e praça pública. Reféns de sua própria história, seus principais nomes buscam, mesmo que de maneira velada, dissociar sua imagem a do partido, embora o discurso oficial se mantenha o mesmo. Uma situação um tanto esquizofrênica que levou diversos candidatos da legenda pelo país a evitarem a cor vermelha e a tradicional estrela em suas campanhas.

A verdade é que para sobreviver, o PT precisa se reinventar, rever seus métodos e admitir seus pecados. Não há mais espaço para chicanas, para subterfúgios e meias verdades. Se o partido deseja evitar a degola definitiva, é necessário cortar na própria carne, realizar um expurgo e apresentar um novo compromisso ético para a sociedade. E para isso, acima de tudo é necessário sacrificar seu próprio criador: o ex-Presidente Luis Inácio Lula da Silva.


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