O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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O Poder Judiciário e o Ministério Público não irão salvar o Brasil

O cenário atualmente vivenciado no Brasil possui conjecturas únicas. Do impeachment de Dilma Rousseff, passando pela operação Lava-Jato e todas suas ramificações, até uma das maiores crises econômicas de nossa história, os últimos anos certamente serão lembrados como um dos mais conturbados desde 1500.

Uma das principais figuras desta confrontação entre os Poderes Republicanos é o juiz curitibano Sérgio Moro. Visto como salvador da pátria por milhões de brasileiros, o magistrado conduz a operação Lava-Jato de forma extremamente polarizadora. Quando analisada sobre o manto da história, penso que a maior contribuição do magistrado e da força-tarefa não será necessariamente a prisão de Sérgio Cabral, João Santana ou Antônio Palocci, mas sim a exposição nua e crua de como a corrupção está enraizada em nossa sociedade.

Não tenho dúvidas que excessos foram cometidos e que há um certo grau de direcionamento nas investigações. Ainda assim, esse “strip-tease” forçado das desenvergonhadas relações entre políticos, empreiteiros e seus asseclas será benéfico no longo prazo.

Uma coisa é certa, entretanto: a verdadeira redenção desta nação e deu seu povo não virá da magistratura ou do Ministério Público. Somente o processo político, que pode e deve ser reformado, oferecerá a estabilidade necessária para que os brasileiros tomem as rédeas de seus próprios destinos.

A história recente demonstra o quão corporativistas e corruptas podem ser estas mesmas instituições que hoje se apresentam como guardiãs da moralidade. Como já citado em artigo anterior, a concessão de benefícios como auxílio-educação e auxílio-moradia ou mesmo os reiterados casos de desvirtuação envolvendo a magistratura, indicam que nenhuma classe de agentes do Estado deve ser isenta de "checks & balances", ou freios e contrapesos.

Por isso mesmo, juízes, procuradores e promotores não devem ser vistos como figuras messiânicas, recém descendidas do Olimpo. São servidores públicos que tem o dever de tocar seus processos e suas investigações de forma isenta e eficiente. Ameaças como as vistas nas últimas semanas, onde promotores prenunciaram que abdicariam de suas tarefas diárias caso o Poder Legislativo aprovasse determinada lei, mais do que bravatas, poderiam acarretar responsabilização criminosa por prevaricação. 

Somente o provo brasileiro pode salvar a si mesmo. Que se prendam os corruptos, mas que a verdadeira e duradoura limpeza venha das urnas e não dos Tribunais.

Algumas considerações sobre o contexto político atual

O aborto e a polêmica decisão do STF