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A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

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As eleições municipais e o grande vencedor de 2016

Marcelo Camargo/Ag. Brasil

Marcelo Camargo/Ag. Brasil

As eleições acabaram. Todas as 5.570 cidades do país já conhecem seus novos prefeitos e vereadores. Mais uma vez, assistimos o surgimento de novas forças, a confirmação de outras, assim como a derrota de algumas importantes lideranças. Nada fora do comum para qualquer ciclo eleitoral, não fosse um padrão que se repetiu por todo o país: a derrota retumbante do PT.

Na verdade, ninguém pode dizer que o fracasso petista chega a ser uma surpresa. Desgastado por 13 anos de governo no âmbito federal, responsabilizado pela opinião pública pela severa crise econômica e profundamente atingido pela Operação Lava-Jato, o Partido dos Trabalhadores agoniza em praça pública. Nem mais a figura, antes imponente, do ex-Presidente Lula consegue frear a derrocada do partido. Se em 2012, a legenda havia eleito 638 prefeitos, em 2016 esse número caiu para menos da metade. Foram apenas 254 prefeitos eleitos, sendo Rio Branco, no Acre, a única capital vencida pelos petistas. Com isso, o partido que antes era o 3º com mais prefeituras, caiu para uma modesta 10ª posição no ranking nacional. Frente a essa conjuntura desastrosa para os petistas, abandonado por seus eleitores, surge então uma pergunta: para onde migraram esses votos?

De uma forma geral, eles se dissiparam e tomaram diversos caminhos. Como era de se esperar, outras legendas de esquerda tiveram desempenhos melhores que em 2012. PDT, PCdoB e PSOL cresceram em todo o país. Herdaram parte do capital político petista, receberam mais votos, fizeram mais prefeitos e elegeram mais vereadores. Nada mais natural. Entretanto nenhum deles teve crescimento tão significativo quanto o grande rival do PT nas últimas duas décadas. O PSDB teve um desempenho sensivelmente melhor que no pleito anterior e passou de 695 para 804 prefeituras. Um crescimento formidável, que embora não tenha sido suficiente para superar o PMDB no número de prefeituras, deixará os tucanos com o maior número de eleitores sob o comando. Nos próximos 4 anos, quase 50 milhões de pessoas viverão em cidades cujo prefeito é do PSDB, uma marca que nenhum outro partido chega perto.

Faltando dois anos para a próxima eleição presidencial, ainda é muito cedo para tomar conclusões precipitadas, mas não há como negar que o PSDB sai muito fortalecido desse processo. Com praticamente 25% dos brasileiros vivendo em cidades governadas pelo partido e com seu maior adversário em franca decadência, é natural que os tucanos assumam um certo papel de favoritismo em 2018. E seria ainda mais natural que esse favoritismo se materializasse no nome de seu principal líder: o senador Aécio Neves. Entretanto o cenário não é bem assim.

Segundo colocado na última eleição presidencial, e derrotado por apenas 3 pontos percentuais, Aécio traz consigo um capital político de 51 milhões de votos, algo que nenhum tucano conseguiu anteriormente. Uma marca impressionante, que a princípio, tornaria o senador mineiro em candidato incontestável do partido. Porém, o resultado das urnas em duas cidades do país tornaram essa decisão um pouco mais imprevisível.

Aécio, que em 2014 já havia sido recebido menos votos que Dilma em seu próprio estado, sofreu um novo revés em casa. Seu candidato a prefeitura de Belo Horizonte, João Leite, foi derrotado pelo ex-Presidente do Atlético Mineiro, Alexandre Kalil (PHS). Um fracasso extremamente significativo, especialmente se levarmos em conta o favoritismo com qual o tucano era tratado ao início da corrida eleitoral. E se por si só, isso não fosse suficiente, o senador viu seu maior rival dentro do partido, Geraldo Alckmin, conquistar uma vitória histórica na cidade mais importante do país.

Como já colocamos no artigo A eleição de Dória e a agonia petista, o triunfo de João Dória na cidade de São Paulo foi sem dúvida a grande história dessas eleições. Desprezado pelos próprios tucanos, Dória sofreu resistência de diversos setores do PSDB paulista e sua indicação provocou uma profunda divisão no partido. Importantes lideranças chegaram até mesmo a sair do partido, mas o governador do estado, Geraldo Alckmin, bancou sua indicação. Comprou o barulho, e mesmo sofrendo diversas críticas, apostou pesado na candidatura de Dória. O prêmio, muito além da prefeitura da cidade mais rica do país, foi uma conquista política gigantesca que o coloca em plenas condições para brigar com Aécio pela indicação da legenda para 2018.

É certo que muita coisa pode acontecer nos próximos dois anos. O país ainda vive uma profunda crise econômica, as mudanças no cenário político tem sido extremamente dinâmicas e a Lava-Jato ainda promete ter muitos desdobramentos, mas ao que tudo indica, Geraldo Alckmin terminará 2016 bem mais próximo do seu sonho presidencial, que no início do ano. Não há como negar que ele foi o grande vencedor das eleições municipais. A ver os próximos capítulos dessa história... E Aécio que se cuide…

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