O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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O grande problema educacional brasileiro

Ao longo dos anos formou-se no Brasil a concepção de que a única saída para uma vida digna seria portar um diploma universitário. Quando analisamos as faixas de renda e os níveis de escolaridade da população, tal entendimento de fato se confirma. Quase todos os integrantes das classes mais abastadas possuem curso superior, enquanto os mais pobres, sequer ter ensino médio concluído. Se esta situação foi planejada ou se é resultado de uma sequência de decisões governamentais equivocadas, pode ser debatido. Tendo a acreditar que este problema possui causas diversas, mas a incompetente mão do Estado ao longo dos anos como gestor dos programas educacionais do Brasil certamente é uma delas.

Em nosso país, como já antecipado, os trabalhadores manuais estão usualmente relegados às classes mais baixas da população, boa parte deles com sérias dificuldades em bancar o mínimo existencial. Não existem programas extensivos e em nível nacional de educação e capacitação voltados para o trabalho manual. Quando precisamos contratar um pedreiro, pintor ou bombeiro, é quase certo que aquele profissional aprendeu o ofício na prática, tendo tido pouco ou nenhum acesso a métodos formais de aprendizado e treinamento.

Ensino técnico também é outra raridade no Brasil. Ao invés de darmos a opção que jovens aprendam um ofício para que ingressem no mercado de trabalho rapidamente, preferimos adotar um modelo de subsídio estatal de diplomas de Pedagogia, Sociologia, dentre outros cursos usualmente da área de ciências humanas. Sem negar a importância destas profissões quando praticadas por alguém com a devida vocação, não se constrói um país de sucesso apenas com administradores ou bacharéis em Direito. Com a crise econômica vivida no Brasil, mesmo programas como PROUNI e FIES estão passando por seríssimas dificuldades.

Em que pese tal estratégia educacional não ser sustentável a longo prazo, uma mudança de curso precisa ser bem planejada e tocada de forma segmentada para que as expectativas de estudantes que dependem das iniciativas acima citadas não sejam frustradas.

Inicialmente, deve-se colocar o Ensino Fundamental e Médio no centro das atenções. São nos primeiros anos de escola onde aprendemos elementos chaves das nossas vidas, que possibilitam desenvolver habilidades básicas e também uma consciência social e política no futuro. Boa parte de nossas mazelas são explicadas pela ausência de escolas primárias de boa qualidade, acessíveis e funcionais aos segmentos mais pobres da população. Subsidiar milhões de egressos do ensino público brasileiro para que consigam seus diplomas universitários em faculdades particulares de baixa qualidade pode ajudar a eliminar algumas discrepâncias estatísticas, mas certamente não qualificará satisfatoriamente o nosso povo para que aumentemos nossos níveis de produtividade.

Em um segundo momento, para que tenhamos profissionais bem capacitados tanto na indústria, como na prestação de serviços, além dos investimentos nos primeiros anos de ensino, também devemos reforçar o ensino técnico de qualidade nos nossos principais centros, que deve ser o destino de boa parte de nossos jovens. O acesso à Universidade não deve ser compreendido como algo irrestrito ou como um direito essencial. Nem mesmo os países avançados conseguem, ou sequer desejam, 100% de acesso aos cursos superiores.

No caso da Alemanha, por exemplo, em que pese a gratuidade do ensino universitário, somente os pupilos vistos como mais capacitados pelas escolas têm chances reais de ingressar na Universidade, resultado em um índice de graduados de apenas 28% da população. A maior parte dos alemães, entretanto, consegue viver de forma digna e confortável portando um certificado de conclusão de ensino técnico ou de trabalhos manuais. Tal sistema educacional, ainda que possa ser visto como rigoroso em alguns casos, garante ao país europeu a maior taxa de produtividade industrial do mundo.

Devemos olhar os bons exemplos e aprender com eles. Chegou o momento de rever o modelo educacional do país.

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