O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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O PT e a estratégia de reencontrar suas raízes

Historicamente os rivais do Partido dos Trabalhadores (PT) costumam chamar seus partidários de comunistas. Os Governos Lula e Dilma, entretanto, provam que esse tipo de afirmação não é exatamente precisa. De qualquer maneira, é inegável a influência do maxismo-leninismo na formação do partido no início da década de 1980. Assim sendo, embora seja um equívoco chamar o atual PT de comunista, a legenda até hoje mantém diversos resquícios da ideologia, especialmente em suas camadas mais radicais.

Hoje, diante do quadro de agravamento da crise política e do inevitável afastamento da Presidente Dilma Rousseff, o PT busca reencontrar suas raízes. Abandonado por praticamente todos os partidos que compunham a base governista, exceto o PCdoB, seu parceiro de longa data, os petistas enxergam na radicalização a única forma de sobreviver. Através de uma reaproximação com os chamados "movimento sociais" (CUT, MST, MTST, entre outros), o moribundo governo apresentou nos últimos dias a pauta mais esquerdista, desde que chegou ao poder.

Além do aumento de 9% no valor do Bolsa-Família, foi anunciada a desapropriação de 35 mil hectares para a reforma agrária e outros 21 mil hectares foram destinados a comunidades quilombolas, foram emitidos dois decretos promovendo a demarcação de terras indígenas, foi criada uma comissão da verdade para apurar crimes que por ventura tenham sido cometidos contra sindicalistas entre 1946 e 1995, entre outras medidas que deixam claro o desejo do PT de agradar sua base política mais fiel. Prestes a sair do poder após mais de 13 anos, o partido chegou a conclusão que somente seus eleitores mais costumeiros e tradicionalmente esquerdistas ainda tem disposição para se mobilizar na defesa do Governo.

Essa "guinada à esquerda" tão reivindicada por esses eleitores, pode não significar efetivamente que, se Dilma resistir ao processo de impeachment, será implementado um regime comunista no país, mas certamente nos afastaremos sensivelmente da idéia de economia de mercado. As concessões feitas durante anos a correntes mais conservadoras e liberais em nome da governabilidade não fariam mais parte da agenda de governo. Velhos parceiros como líderes sindicalistas, do MST e economistas da escola heterodoxa ganhariam muito mais espaço. O Brasil se tornaria mais vermelho, menos competitivo, mais burocrático e todos os avanços conquistados após o Plano Real seriam definitivamente perdidos. O tal processo de "venezuelização" tão temido por milhões de brasileiros, poderia se acentuar.

Felizmente, Dilma não irá sobreviver ao processo. Ela será afastada e o PT tão cedo não voltará ao poder.

O início do fim...

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