O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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Dilma cavou sua própria cova

Desde que ascendeu ao Palácio do Planalto, até o discurso realizado no plenário do Senado Federal há alguns dias, Dilma Rousseff se apresenta como dona da verdade.

Neste alvorecer do que parece ser o último dia de seu mandato, é preciso relembrar alguns atos tomados pela ainda Presidente, apresentados com grande pompa em cadeia nacional de televisão, e que, consciente ou inconscientemente, irão influenciar na votação de logo mais.

Em termos econômicos, Dilma sempre teve um receituário pronto e que pôs em prática de forma agressiva durante seu primeiro mandato.

Suas principais bandeiras entre 2011 e 2015 foram a baixa forçada de juros, que caíram de 12,50% para 7,25% em 14 meses, a intervenção direta na tarifa de energia elétrica, resultando em um corte médio mandatório de 25%, as desonerações da ordem R$ 458 bilhões para empresas brasileiras e multinacionais e, por fim, a participação ativa nas políticas de preços e investimentos da Petrobrás.

Passados alguns anos, os juros praticamente dobraram, atingindo a casa de 14,25%, a conta de energia elétrica sofreu um aumento de cerca de 40%, o déficit do Governo Federal e o prejuízo causado pelas chamadas “políticas anticíclicas” poderão atingir a casa R$ 1 trilhão e a Petrobrás perdeu sua capacidade de investimentos, tendo que se desfazer de inúmeros ativos unicamente para sobreviver.

Em suma, as principais medidas econômicas tomadas por Dilma Rousseff não apenas falharam, mas sim constituíram as principais causas da dantesca crise que assola o Brasil e que já nos custou cerca de 3 milhões de postos de trabalho. A inabilidade da mandatária resultou, nesta ordem, em inflação galopante, perda de confiança para investimentos, desequilíbrio monstruoso das contas públicas e na implosão do maior conglomerado industrial do país.

Ainda assim, do alto da tribuna do Senado, Rousseff culpa unicamente a crise internacional de 2008 e a paralisia política recente pelo nosso flagelo socioeconômico.

Mais do que uma fantasia, trata-se de uma mentira. Dilma pode ser inepta, mas não é incapaz. 

O péssimo relacionamento com o Poder Legislativo e a tão excessiva quanto equivocada intervenção na economia durante o seu primeiro mandato são os principais motivos que explicam a aparente posição do Senado pela sua destituição de forma definitiva da Presidência da República. 

O impeachment é, acima de tudo, um processo político-jurídico, com regulamentação própria e ampla margem de interpretação dada pelo legislador aos "juízes naturais" da causa, quais sejam, os Deputados e Senadores.

As chamadas "pedaladas fiscais" e os empréstimos realizados por instituições financeiras públicas para o Governo Federal são apenas a cereja do bolo. Um requisito formal importante sob o ponto de vista jurídico, mas que empalidece em comparação com a motivação política, econômica e social por trás da cassação do mandato de Dilma Rousseff.

O quê vem depois do fim?

Alguém notou que começou a corrida eleitoral para prefeito?