O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

Seja bem vindo e, como tudo na vida, aprecie com moderação!

Aviação e a crise

Um dos segmentos da economia pelo qual que mais me interesso é o do turismo, particularmente o da aviação. Sempre fui fanático por objetos voadores que nos transportam entre cidades, países e continentes. Ao contrário da maioria, não aceito esta realidade como algo banal. Ser transportado em um compartimento metálico a quase 1.000km/h e a 37.000 pés de altura é sempre, para mim, uma experiência instigante, quase um milagre.

O cenário da aviação no Brasil sempre foi tempestuoso. Vimos grandes empresas como Panair, Varig e Transbrasil ruírem em função do panorama econômico do país e também por conta de erros estratégicos cometidos ao longo dos anos. Não obstante, desde que me interesso pelo tema, e lá se vão mais de duas décadas, nunca me deparei com uma situação tão complicada com a atual.

Além das dificuldades relacionadas ao câmbio, o gigantesco tombo da economia reduziu drasticamente a demanda por viagens de negócios, segmento que contribui para a maior parte das receitas obtidas pelas aéreas. Quase todas as empresas de aviação nacionais estão em uma situação financeira lastimável, em especial a GOL, que possui uma dívida considerada por muitos impagável e tem ações sendo vendidas a pouco mais de dois reais. Todas estas empresas estão fechando bases, reduzindo custos e demitindo em massa,  medidas com impactos diretos e indiretos difíceis de estimar.

A tabela de movimentação de passageiros em fevereiro de 2016 com valor acumulado e comparação com o ano anterior apresenta um panorama desolador:

 

O único aeroporto com algum crescimento foi Brasília, que teve recentemente uma grande expansão inaugurada. Todos os outros tiveram recuos acentuados, alguns deles históricos e na casa de mais de 10%.

A situação é tão drástica, que mesmo companhias como a American Airlines, usualmente obstinada e que mantém rotas com prejuízo por maior tempo, acaba de anunciar o fechamento de rotas para o Nordeste. Em breve poderão ser fechadas as bases de Manaus, Brasília e Minas Gerais.

Em suma, o mercado brasileiro de aviação que passou por um saudável processo de descentralização de voos está retornando ao paradigma dos anos 90, com a concentração de partidas internacionais nos maiores polos, notadamente São Paulo.

O retrocesso deste segmento da economia apenas reflete o buraco do qual teremos que sair. Resta saber quando começará a escalada...

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