O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

Seja bem vindo e, como tudo na vida, aprecie com moderação!

O gari e o doador

O primeiro dia de trabalho dos novos prefeitos das duas principais cidades do país foi, no mínimo, peculiar. No Rio de Janeiro, após um efusivo discurso com forte viés religioso e com foco na estratégia de austeridade fiscal, Crivella se dirigiu ao Hemorio para doar sangue. Já na capital paulista, João Dória tirou o dia para limpar ruas vestido de gari e prometeu repetir a medida todas as semanas. Trata-se de mero populismo ou condutas que chamam a atenção para temas pertinentes?

Em que pese a evidente conotação de marketing pessoal e certa demagogia, é indiscutível que tanto limpeza urbana como doação de sangue são questões da mais alta relevância.

Ainda assim, no caso do tucano Dória, a promessa de que um dia da semana será dedicada à limpeza urbana é um tanto curiosa. Será que este é o papel do prefeito da cidade? Para os que detestam o tucano, um dia a menos no gabinete tomando decisões com as quais provavelmente não concordam talvez seja algo positivo.

Não acredito, entretanto que esta promessa deva ser cumprida ao pé da letra. São Paulo tem problemas complexos que demandam um prefeito trabalhando em tempo integral. Sim, limpeza pública é um deles, mas cabe ao chefe do executivo municipal a definição de estratégias nesse segmento e não posar para fotos com uma vassoura na mão. 

Voltando ao Rio de Janeiro, além da visita ao Hemorio, importante analisarmos também as primeiras palavras do prefeito empossado.

Em seu discurso na Câmara Municipal, Crivella tocou em pontos importantes da economia carioca e deu o tom sobre o que podemos esperar nos próximos anos. O ex-bispo prevê uma queda de até três bilhões de reais na arrecadação da cidade em função da crise, além de aumento de gastos com empréstimos realizados na gestão de Eduardo Paes. 

É fato que as dificuldades atualmente vivenciadas pelo falido Estado do Rio de Janeiro ainda não chegaram com tanta força à capital. Isto decorre não só dos grandes eventos ocorridos nos últimos anos, mas também por conta da repartição tributária atualmente vigente. Por isso mesmo, dificilmente a cidade vivenciará um quadro fiscal tão precário quanto o Estado. Ainda assim, a redução de despesas e o aumento de tributos deve ser a estratégia adotada pelo prefeito para evitar uma deterioração ainda maior das contas públicas.

Tendo em vista o que está ocorrendo com o Brasil, que optou por mascarar os efeitos da crise há alguns anos ao invés de enfrentá-los, esta não parece ser uma decisão de todo equivocada. Resta saber se Crivella acertará na dosagem. 

FGTS e a perda de uma chance

2017?