O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

Seja bem vindo e, como tudo na vida, aprecie com moderação!

Voltamos ao estado da natureza?

“O homem é um animal político”

A frase acima foi dita por Aristóteles por volta do ano 300 a.c.

Para explicar essa frase, o pensador grego argumentou que o homem é o único animal capaz de se comunicar, argumentar e contra argumentar racionalmente.

Por volta de 1650, o inglês Thomas Hobbes desenvolveu sua teoria que parece estar ainda bastante atual.

Ele é autor da famosa frase: “o homem é o lobo do homem”.

Hobbes nos apresentou a concepção de que o homem em seu estado de natureza não sabe viver em sociedade. O homem é egoísta, age única e exclusivamente pela sua autopreservação, é desonesto, inclemente e vive em estado de guerra por sempre desconfiar que o “outro” está agindo para prejudica-lo.

Para Hobbes, a única forma de o homem não se exterminar enquanto espécie é um governo com poderes absolutos que governe os homens com o poder da espada. Só assim para botar ordem numa sociedade selvagem e a beira da barbárie.

Nós precisamos compreender o que nos faz ser um ser sociável.

Como aprendemos a conviver, como convivemos e como conviveremos uns com os outros?

Em todas as reflexões feitas sobre as mais diversas formas de sociedade, sempre há um elemento fundamental que esteve presente em nossas sociabilizações: a política.

A política não é apenas algo abstrato. A política não é apenas teoria. A política não é apenas o voto e nem apenas o que acontece dentro dos poderes executivos e legislativos dos países.

A política é uma praxe humana.

A política é a forma prática de mediar contraditórios a fim de se alcançar consensos.

Como disse Aristóteles, a política é intrínseca ao homem porque nos permite conviver, apesar de todas as nossas diferenças e complexidade das sociedades.

Muito me preocupa o movimento anti política que tem crescido no Brasil e em grande parte do mundo.

Precisamos e devemos mudar a política, mas não podemos nunca negar a política.

Há mais de 2.500 anos, desde as primeiras civilizações, já se observava os homens fazendo política como forma de convivência.

As pessoas estão confundindo adversários com inimigos.

O conceito de inimigo traz consigo o pressuposto do “perigo” e, por isso, a necessidade de sua eliminação. Já o adversário pode ser tratado como algo que precisa ser superado, mas não necessariamente eliminado.

Nas últimas semanas, eu tenho lido muito uma cientista política belga, chamada Chantal Mouffe, que vem desenvolvendo a teoria de que precisamos reafirmar as diferenças entre as pessoas e buscar o que ela denomina de “consenso conflituoso”. Ou seja, que superemos as diferenças a partir das próprias diferenças.

Para não voltarmos ao estado de natureza hobbesiano, urge que utilizemos das nossas habilidades políticas para superarmos a intolerância, inflexibilidade, sectarismo, intransigência e incompreensão que tomou conta da nossa sociedade.

Caso contrário, deixaremos de ser o tal “animal político” e seremos apenas ... animal.

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