O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

Seja bem vindo e, como tudo na vida, aprecie com moderação!

Terêncio contra a xenofobia

Impressiona o viés xenófobo que vem trilhando nosso planeta.

“Homo sum, humani nihil a me alienum puto” – dizia Terêncio, ainda na era pré-Cristo (sou um homem: nada do que é humano me é estranho, em tradução livre).

A beleza do pensamento em tela não vem ecoando no mundo contemporâneo, em que a alteridade é vista com desconfiança e preconceito. Qualquer sinal de integração, cooperação e vínculo entre países tem sido razão suficiente para que se passe a temer por problemas de toda sorte.

Assistimos ao recentíssimo êxodo do Reino Unido junto à União Europeia, ato simbólico que pode acarretar prejuízos econômicos não só para os britânicos, como para o mundo todo, mas que, de outro lado, sinaliza uma tendência separatista de grandes proporções.

Ora, se a desvinculação do Reino Unido contém a ideia de que o bloco europeu já não é consenso entre seus membros, e por isso mesmo deu-se tal separação, é também verdade que há razões (não tão) ocultas que ensejaram tal quebra.

A Europa vem atravessando um período-chave em sua história. Um momento em que ondas migratórias vêm pondo em xeque a identidade, a cordialidade, a fraternidade e os laços humanitários entre as nações daquele continente.

Refugiados buscam incessantemente o abrigo dos principais países europeus, numa batalha pela sobrevivência que mais se assemelha a um pedido de clemência humana àqueles que mandam no mundo.

E é nesse cenário que setores conservadores passam a se manifestar de modo cada vez mais assustador e desumano.

Ganham força grupos neonazistas, homofóbicos, racistas e xenófobos. E um número crescente de seguidores passa a ser contabilizado.

A ausência de líderes capazes de promover o diálogo entre as nações, em larga medida, contribui para a disseminação do ódio, e ações bárbaras são vistas com frequência horripilante, vide o assim denominado Estado Islâmico.

Nesse contexto, enquanto países como a Alemanha tentam “gerenciar” a questão imigratória, criando condições para que os refugiados possam viver uma nova realidade existencial, longe dos brutais conflitos que assolam suas terras natais, nota-se uma enorme rejeição por parte de outras nações - ainda que parcialmente – à chegada de tais indivíduos, cuja simples presença lhes aporta mal-estar e mesmo medo.

Tal sentimento representa solenemente o caos humanitário em que nos vemos atualmente.

Se não aceitamos o outro, que está em apuros, como desejar que, acaso se faça preciso, sejamos nós mesmos eventualmente abraçados?

Acolher sírios, iraquianos e outros povos, em cujos territórios fenecerão em meio à guerra, equivale a dar uma chance à vida, ao passo que rechaçá-los não apenas significa fechar os olhos para um genocídio, como também ser cúmplice de uma situação inaceitável que pode levar a própria civilização ao ocaso.

O movimento britânico denominado Brexit, tal qual vozes como a de Donald Trump, assinala que nosso planeta está tratando de forma muito equivocada um momento histórico-político crucial de nossos tempos, insultando e afrontando a citada frase de Terêncio, pondo os seres humanos num choque temerário, enquanto os extremistas assistem a tudo de camarote e passam a ditar a ordem mundial à base do medo, da intolerância e do caos.

É fundamental que entendamos que somente a união entre os povos terá o condão de reverter a dramática situação em que nos pusemos. E é este o caminho que devemos trilhar por um futuro salutar.

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