O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

Seja bem vindo e, como tudo na vida, aprecie com moderação!

Sobre o resultado do segundo turno

Como era esperado, Marcelo Crivella venceu as eleições para a Prefeitura da segunda cidade mais importante do país. Ainda que o candidato derrotado, Marcelo Freixo, do ponto de vista ético, fosse claramente a escolha mais acertada, na prática, a vitória de Crivella poderá ser positiva para a cidade do Rio de Janeiro.

Em um contexto de falência do Estado do Rio e de uma deterioração cada vez mais intensa dos cofres públicos municipais, uma boa relação com o Governo Federal é algo essencial para o futuro imediato dos cariocas.

Com todas as críticas que já fizemos ao atual pacto federativo brasileiro, a realidade é que as cidades brasileiras dependem de investimentos oriundos de Brasília para projetos nas mais variadas áreas. O voto a favor do impeachment, ainda que traga dúvidas sobre o caráter do ex-ministro de Dilma, certamente ajudará na tão importante relação com o Palácio do Planalto.

Freixo, por outro lado, foi um dos expoentes na narrativa de que o impedimento de Dilma Rousseff teria sido um golpe de Estado. Após um primeiro turno onde praticamente todos os candidatos com essa bandeira sofreram derrotas eleitorais, a população da cidade do Rio demonstra mais uma vez que esta narrativa simplesmente não “colou”. Além de ter custado votos ao candidato do PSOL, caso fosse eleito, sua posição política poderia complicar ainda mais a situação financeira da capital fluminense, mesmo que pudesse haver progresso em outras áreas.

Tendo em vista o quadro de recessão generalizada, não há área mais importante que a economia.

Freixo seria uma aposta muito grande em um momento onde não se tem tempo a perder. Como defendido em artigo recente, há sinais de que a economia brasileira está retomando o fôlego. A ascensão ao poder de uma figura antagônica à atual gestão federal seria certamente um complicador no reencontro do crescimento e da geração de empregos da cidade do Rio de Janeiro.

Reconheço a combatividade de Marcelo Freixo, mas simplesmente não era seu momento. Quem sabe daqui a quatro anos, em tempos de vacas mais gordas.

Quando analisamos o cenário nacional, o resultado do segundo turno representou uma continuidade do que foi visto no primeiro. O PSDB ganha em cidades importantes como Curitiba, Porto Algre e Belém e o PT perde ainda mais espaço. 

Além do Rio de Janeiro, a eleição em Belo Horizonte certamente terá reflexos para o futuro político do país.

A derrota dos tucanos, mais do que uma perda pro partido, signifca um enfraquecimento ainda maior de Aécio Neves. Após ver seu candidato ao governo de Minas derrotado em 2014,e ter sido delatado por diversas vezes no âmbito da Operação Lava-Jato, tudo indica que Aécio é carta fora do baralho para 2018.

Com a "República de Curitiba" atirando para todos os lados, entretanto, impossível prever qual será o cenário político do país em dois anos.

Voltamos ao estado da natureza?

O risco Crivella