O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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O risco Crivella

É robusta a ascensão dos evangélicos no cenário político nacional. E, especialmente num estado (dito) laico, não é pequeno o impacto que isto causa e poderá vir a causar na vida do brasileiro de um modo geral.

De fato, a mistura da religião com a política é algo que precisa de um estudo muito profundo e detido, vez que, em última análise, representa a possibilidade inequívoca da manipulação de eleitores através de argumentos fulcrados em futuras recompensas “autorizadas” por entidades divinas. Ou seja: o voto no candidato “x” ou “y” deriva de uma crença espiritual anterior, preexistente.  E este mesmo voto ratificará a crença em determinado segmento religioso, que se tornará ainda mais pujante e poderoso, se vitorioso.

Com o devido respeito a toda e qualquer religião, penso que a Igreja Universal do Reino de Deus, que projetou o Bispo Crivella e na qual ele exerce papel determinante, possui um perigoso projeto dominador em âmbito nacional, o que bem se evidencia no modo como Crivella trata seus adversários políticos: ele mostra uma calma fictícia e se veste de cordeiro para, na verdade, proferir ofensas veladas e cheias de arrogância, certo que está de sua possível vitória nas urnas.

Neste sentido, temos que os fiéis da assim chamada I.U.R.D. não estão destinando seus votos a um projeto político, mas sim a um líder religioso que, de modo evidentemente falso e perverso, tenta convencer o seu rebanho de que Deus está por trás de sua iminente conquista: tornar-se o prefeito da segunda maior cidade do País.

Não é difícil acessar informações, advindas de diversas fontes jornalísticas, segundo as quais Crivella é sexista, homofóbico e fanático mesmo. Que viveu por dez anos na África no intuito de “evangelizar” o povo de lá, cujas crenças religiosas seriam impróprias e demoníacas, na visão do Bispo.

Num período histórico em que as mulheres ganham um protagonismo social cada vez mais forte, eleger Crivella, segundo quem a mulher, por ter “vindo da costela do homem”, deve-lhe obediência, configura um retrocesso gigantescamente medonho e pode provocar reações muitíssimo sérias na sociedade do Rio de Janeiro.

A religião não pode ditar o rumo político de uma sociedade, muito menos o de uma cidade de destaque mundial como é o Rio, de vocação cosmopolita e sempre na vanguarda de movimentos históricos progressistas.

Desgraçadamente, as pesquisas mais recentes apontam a vitória do Bispo.

Freixo não joga a toalha, e nem jogará.

A disputa terá seu capítulo derradeiro na data de hoje. Que prevaleça o Estado laico e o projeto político voltado para o povo como um todo. Que prevaleça o bom senso.

Sobre o resultado do segundo turno

O cerco ao intocável Renan