O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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A ressaca do impeachment

As redes estão vazias de debates políticos. Todos enjoados do facebook.

O Instagram nunca foi tão usado pelos intelectualizados. Os jornais já não batem em ninguém com a mesma força e vigor com que batiam no PT (e em outros partidos há 2 meses atrás).

O que isso quer dizer?

O vendaval passou. O #ficadilma arrefeceu, a narrativa do #golpe não colou. O #foratemer enfraqueceu e as “vanguardas políticas” não seguraram a bronca de manter as chamas de luta acesas.

A política morreu um pouco mais.

Como diria Bauman em seu fabuloso “Em Busca da Política”, as pautas da crise política brasileira eclodiram e dispararam em direção ao céu como um balão cheio de hélio e voltaram ao chão assim que demandas individuais específicas foram atendidas.

É sintomático que de toda aquela ebulição política não tenha ficado nada, se quer uma pressão por parte da sociedade civil pela famigerada reforma política.

O que resta então? Resta entender que na República Federativa do Brasil (assim como em outros países de cultura política democrática incipiente) as decisões políticas fundamentais continuarão, pelo menos por hora, vindo do alto e que os processos de mudança não se darão com rupturas abruptas e repentinas, nem através da força e da violência, mas através de reformas graduais ou modernizações conservadoras (para utilizar expressões já canonizadas pelos defensores desta tese).

Resta compreender que as pressões que a sociedade civil exerce sobre as elites políticas e econômicas vêm sendo ignoradas sistematicamente e que isto exige uma mudança de postura e estratégia daqueles que querem que alguma mudança no Estado ocorra de fora pra dentro, fugindo à lógica fisiologista de nossa política.

Este constatação não deve gerar desespero àqueles que “correm por fora” da política institucional, pelo contrário, deve servir para conter o desespero em situações em que acredita-se que os rumos do país estão em suas mãos e que se nada for feito, serão lançados à chama dos incautos negligentes que perderam a oportunidade de mudar a História do país.

Não se muda um país como o Brasil assim, do dia pra noite, é necessário paciência, é preciso olhar pra frente e tentar entender – pra usar a expressão de Jânio Quadros – quais forças ocultas estão conduzindo as decisões no contexto nacional. É preciso ter olhar maquiavélico para a política.

O que se esperar além disto, é excesso de esperança ou ingenuidade, o que, no fim das contas, são dois lados diferentes da mesma moeda.

Importa ir sempre em frente, com o vigor de uma criança e a coragem de um adolescente, mas saber também recuar quando necessário, tentando aprender com a experiência daqueles que já viveram mais e guardam a sabedoria para casos de emergência extrema.

Rafael Tauil é sociólogo, mestre em Ciências Sociais, doutorando em Ciência Político e professor universitário.

As manifestações murcharam

Eduardo Suplicy, o político necessário