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Terrorismo, o mal do Século XXI

REUTERS/OSMAN ORSAL

REUTERS/OSMAN ORSAL

Ontem (terça-feira), o mundo se viu mais uma vez diante de um atentado terrorista. Dessa vez, o palco de tal barbaridade foi Istambul, principal cidade da Turquia. Segundo agências de notícias, três homens-bomba teriam sido responsáveis pelo ataque que ocorreu no aeroporto Ataturk, o terceiro mais movimentado da Europa. As últimas informações são de que pelo menos 42 pessoas morreram e 239 ficaram feridas. Embora ainda não haja confirmação, acredita-se que esse tenha sido mais um atentado arquitetado pelo Estado Islâmico.

A verdade é que atentados terroristas não podem ser considerados uma novidade na história da humanidade. Há registros de ataques dessa natureza já durante o Império Romano. Grupos insatisfeitos com a ocupação romana em determinadas regiões, já promoviam naquela época atentados contra os invasores. No século I, na Judeia, os zelotes judeus se notabilizam por executar todos aqueles que fossem suspeitos de colaborar com o governo de Roma. Desde então, de uma maneira ou de outra, o terrorismo fez parte da história da humanidade. Atentados foram documentados na Idade Média no Oriente Médio, na Índia e na Europa. Na França revolucionária, o terror chegou a se tornar política de Estado durante o governo do Partido Jacobino, comandado por Maximilien de Robespierre.

Entretanto, é só na segunda metade do século XIX e no século XX que as práticas terroristas começaram a ganhar os contornos que conhecemos hoje. Grupos separatistas como o IRA (Irlanda) e o ETA (Espanha); grupos políticos como o Sendero Luminoso (Peru) e as FARC (Colômbia); grupos religiosos como a Ku Klux Klan (EUA) e a Al Qaeda (Afeganistão), e grupos religiosos/políticos como o Hezbollah (Líbano) e o Hamas (Palestina), são exemplos da proliferação de organizações que surgiram e tem o terror como um de seus principais métodos para atingir seus objetivos. Há também diversos registros de ataques terroristas na Itália, durante sua guerra contra a máfia e também acredita-se que diversos governos, entre eles a Líbia de Muammar al-Gaddafi patrocinaram ações de natureza terrorista.

Até a década de 1980, porém, as organizações terroristas atuavam localmente. As limitações de comunicação dificultavam a proliferação de células internacionais, problema que viria a ser solucionado a partir da década seguinte, principalmente através o advento da internet. Distâncias foram radicalmente reduzidas e fluxo de informações passou a ser on-time. A capilaridade de grupos terroristas foi ampliada vertiginosamente. Assim, mesmo remotamente, se tornou possível planejar atentados, difundir sua propaganda, conquistar novos militantes e causar o terror em níveis globais.

O atentado de 11 de setembro de 2001, talvez tenha sido a primeira vez que o mundo tenha efetivamente se dado conta de sua vulnerabilidade diante desse novo cenário. Grupos terroristas se tornaram grandes organizações com braços internacionais. Causas religiosas, políticas e territoriais se confundiram e a previsibilidade de novas ações se tornou extraordinariamente mais difícil. O inimigo é praticamente invisível, trabalha em silêncio e muitas vezes ataca sem sequer declarar guerra.

O triste episódio de ontem na Turquia foi só mais um capítulo dessa guerra. Uma guerra que mata milhares de inocentes todos os anos, mas cujo o efeito mais perverso é a sensação de terror e pânico que causa nas pessoas. A percepção que vivemos em um mundo cada dia mais perigoso pode não condizer efetivamente com a realidade, mas é algo que se espalhou pelos quatro cantos do mundo. A terrível consequência disso é a paranóia, a xenofobia, o preconceito, a intolerância e o fortalecimento do discurso de extrema direita, que recentemente levou os britânicos a sairem da União Européia e pode levar em breve os Estados Unidos a elegerem Donald Trump como seu próximo Presidente. O resultado disso é imprevisível, mas uma coisa infelizmente já sabemos: em algum lugar do mundo já tem gente planejando o próximo atentado terrorista. Onde e quando será, só o tempo irá nos responder...

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