O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

Seja bem vindo e, como tudo na vida, aprecie com moderação!

A Rainha Vitória e o BREXIT

Entre 1837 e 1901, durante o governo da rainha Vitória, uma frase ecoava ao redor do mundo: “nas terras da coroa inglesa o Sol nunca se põe”.

A frase se justificava pelo tamanho do império inglês em todo o planeta. Naquele período, a coroa inglesa possuía colônias que iam do Canadá, Estados Unidos, Jamaica, Nigéria, Quênia, Índia e chegava até a Austrália. Ou seja, durante as 24 horas do dia, em alguma das colônias inglesas, o Sol estava raiando.

Vale salientar que as colônias acima mencionadas eram, porém, algumas de suas colônias oficiais. A influência da Inglaterra ao redor do mundo era muito mais abrangente e abarcava também países que não estavam entre suas colônias oficiais. Só para se ter uma idéia[1], após a descoberta de ouro e diamante em Minas Gerais, o Brasil chegou a mandar mais de 200 mil quilos de ouro à coroa inglesa. Documentos oficiais, da alfândega inglesa, indicam que o volume de ouro brasileiro chegando a terras britânicas alcançou 50 mil libras por semana. Isto se deu porque a Inglaterra já havia criado um monopólio e uma relação de dependência com boa parte dos países europeus. Portugal, por exemplo, possuía duas grandes dívidas com os ingleses: 1) a Inglaterra financiou Portugal na guerra que durou cerca de 60 anos com a Espanha e 2) a Inglaterra foi a grande financiadora da vinda da corte portuguesa ao Brasil em 1808, quando estes fugiram da guerra napoleônica. Com esta relação sobre o ouro brasileiro, ficou famosa a frase: “Portugal tinha o leite, mas quem bebia era a Inglaterra”.

Já no século XX, a Inglaterra - junto com a Alemanha - chegou a extrair, em volume monetário, mais petróleo, gás e ferro da Venezuela do que a totalidade do montante investido pelos Estados Unidos através do Plano Marshall em toda a Europa no pós II Guerra Mundial.

Notemos que os dois casos acima citados não são de colônias oficiais da corte inglesa. Imaginem a quantidade de riquezas que a Inglaterra não extraiu de outras colônias não oficiais e, ainda mais, de suas colônias oficiais!

Outro fato relevante é que desde o século XVII, a Inglaterra adotou medidas extremamente protecionistas que proporcionaram a acumulação de riquezas e como conseqüência seu desenvolvimento industrial e financeiro, como por exemplo: era proibida a saída de metais preciosos de terras inglesas sem expressa autorização da corte contendo explicação da necessidade desta evasão; a Inglaterra impunha a todas suas colônias e demais países sob sua influência, como no caso luso-brasileiro, a comprar apenas manufaturas inglesas; a Inglaterra enviava consultores a todos os países que possuíam algum tipo de dívida com a corte inglesa para supervisionar as políticas econômicas adotadas por estes países.

Isso nos dá a dimensão do tamanho do poder de exploração e de influência política e econômica que a Inglaterra tem no mundo desde o século XVIII até os dias atuais.

Este breve panorama que eu procurei apresentar nos ajuda a compreender a tomada de decisão do povo inglês na última semana. A Inglaterra não está acostumada a dividir a autonomia de seu rumo com outros países. Para se ter uma idéia, os ingleses, em 2014, contribuíram com 11,3 Bilhões de Euros para a União Européia e recebeu investimentos de “apenas” 6,9 Bilhões de Euros. A Inglaterra não está acostumada investir mais do que ganhar. Não faz parte da cultura deles. A Inglaterra está acostumada a lucrar, a mandar e ponto final!

A União Européia nunca foi completamente aceita pelos britânicos. Abrir mão de uma pequena parte de sua soberania para buscar algo mais coletivo e horizontal não faz parte da cultura britânica. Os ingleses podem se aventurar pelo mundo em busca de novas oportunidades e riquezas, já o inverso não é verdadeiro, ou seja, os ingleses não aceitam pessoas de outras partes do mundo indo buscar oportunidades e riquezas em seu território.

Pelo andar da carruagem, o mundo ainda vai carregar a coroa britânica nas costas por um bom tempo.

[1] os dados e fatos apresentados neste texto estão nos livros As Veias Abertas da América Latina, de Eduardo Galeano, e nos livros A Era das Revoluções, A Era do Capital e A Era dos Impérios, de Eric Hobsbawn.

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