O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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O próximo grande confronto

Na semana passada, a atual chanceler da Alemanha, Angela Merkel, declarou a intenção de mais uma vez representar o seu partido, a União Cristã Democrática, nas eleições para a definição da nova composição do Bundestag, o parlamento federal. Sendo uma nação parlamentarias, o partido que tiver a maior votação popular ganha o direito de formar uma coalizão e definir o próximo chanceler.

Será Merkel a nova Hillary Clinton, que apesar de toda sua experiência política perdeu para o novato Donald Trump?

Acredito que não, por uma série de motivos.

Em primeiro lugar, ao contrário de Clinton, ninguém duvida da seriedade, competência e honestidade da atual chanceler. Apesar dos problemas causados pelo influxo migratório de 2015, os índices de aprovação de Merkel ainda permanecem altos, bem acima de todos seus possíveis oponentes. A realidade é que Hillary Clinton nunca foi extremamente popular nos EUA e os inúmeros escândalos envolvendo seu nome, seus e-mails e sua fundação ajudaram e muito na perda das eleições americanas deste ano.

A economia alemã cresce ininterruptamente desde 2010. O número de desempregados é um dos mais baixos da história. A renda média da população não para de subir. Ou seja, os principais indicadores que usualmente costumam definir eleições do tipo são todos favoráveis à Merkel.

O problema é que, como vimos no caso do BREXIT e na própria eleição de Trump, o atual ciclo eleitoral nos países ocidentais nada mais é do que uma verdadeira caixinha de surpresas, onde os “outsiders” políticos e as forças populistas têm se saído reiteradamente vitoriosas.

Ainda assim, no cenário atual a viabilização de uma candidatura como a de Donald Trump na Alemanha é bastante improvável. Ainda que partidos populistas de direita como o AfD (Alternative für Deutschland) tenham ganhado força nos últimos anos, o eleitorado que se dispõe a votar nestes candidatos não costuma passar de 20%. A herança do período nazista ainda é onipresente na sociedade alemã contemporânea, dificultando que a população volte a ser seduzida por discursos neopopulistas.

Por isso mesmo, acredito que Merkel continua sendo a melhor alternativa para a Alemanha, independente do nome do partido concorrente. Discreta e eficiente, o sucesso no comando da economia e a capacidade de projetar uma imagem positiva do país no mundo são realizações significativas, que devem ser recompensadas com um quarto termo como chanceler.

Depois de Inglaterra e Estados Unidos, a eleição do Bundestag alemão será o próximo grande confronto pela reorganização das forças mundiais do poder.

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