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Alguém notou que começou a corrida eleitoral para prefeito?

Gustavo Serebrenick/Brazil Photo Press/Folhapress

Gustavo Serebrenick/Brazil Photo Press/Folhapress

Passados os Jogos Olímpicos, os olhos dos brasileiros parecem ter se voltado novamente ao processo de impeachment da Presidente Dilma Rousseff. Sim, embora esteja afastada do cargo há mais de 4 meses, Dilma ainda pode retornar a Presidência da República. Para isso, basta que 28 dos 81 senadores que participam de seu julgamento sejam contrários a seu afastamento e a absolvam das acusações que sobre ela recaem.

Nessa última semana entramos na reta final do processo de seu afastamento e e nos próximos dias, o destino da nação será selado pelo Senado Federal. Dilma volta ou será destituída em definitivo? Não vejo grandes possibilidades de retorno para a Presidente afastada, mas é justificável a atenção que essa etapa derradeira do impeachment vem recebendo. O que não me parece aceitável é que outro processo político que também se iniciou essa semana tenha ficado tão em segundo plano: a campanha eleitoral para prefeito em todo o país.

Em outubro, o brasileiro voltará as urnas pela primeira vez após a acirrada campanha eleitoral que culminou com a reeleição da Presidente, hoje afastada, Dilma Rousseff. Eleitores de todos os 5.570 municípios do país estarão escolhendo seus prefeitos, representantes mais próximos do Poder Executivo, para os próximos 4 anos. Será uma ótima oportunidade para avaliarmos o impacto da Operação Lava Jato na composição partidária em todo o país, especialmente se consideramos que será a primeiro pleito desde a proibição de doações de pessoas jurídicas a campanhas eleitorais. Tudo leva a crer em um redistribuição de forças políticas, através da superação de grupos tradicionais e o surgimento de novas lideranças.

Entretanto, o que se viu até agora é que o eleitor ainda não parece muito empolgado com o tema. Os debates, promovido pela Rede Bandeirantes, envolvendo os principais candidatos em diversas capitais repercutiu muito pouco. Para se ter uma idéia, o debate no Rio de Janeiro atingiu míseros 0,9 ponto de audiência, segundo o Ibope. Um fracasso que dá idéia do quão indiferente, pelo menos nesse momento, o cidadão está em relação ao pleito municipal desse ano. Um cenário preocupante, tendo em vista que em menos de 2 meses iremos as urnas novamente.

Não há dúvida que assim que o processo de impeachment tenha seu desfecho definitivo, o eleitor deverá dedicar sua atenção a escolha do novos prefeitos. Porém, é necessário que essa "virada de chave" seja imediata e que não soframos qualquer tipo de "ressaca" do impeachment. Isso é fundamental para que o eleitor tenha o discernimento necessário e não volte a cometer os mesmo erros que cometeu no passado e que nos levam hoje a estar passando pelo segundo processo de impeachment de um Presidente da República nos últimos 25 anos. É melhor prevenir do que remediar...

 

Dilma cavou sua própria cova

Impressões do segundo dia do julgamento final do impeachment