O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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1964: Revolução ou golpe?

Mais de meio século já se passou, e volta e meia vemos ressurgir o debate sobre o movimento que levou os militares ao poder em 1964. Tratou-se de um golpe ou uma revolução? Para aqueles simpáticos à destituição do então Presidente João Goulart, tratou-se de uma revolução. Já para seus opositores, foi um golpe de Estado. Mas qual é a diferença entre esses dois termos? Realmente se tratam de coisas distintas? É possível que tanto a utilização da palavra golpe, quanto da palavra revolução estejam corretas?

Realizando uma breve pesquisa sobre o significado da palavra revolução, chegamos a uma definição básica: É um mudança radical, em relação ao passado recente, podendo ocorrem em diferentes âmbitos (político, social, cultural, religioso). Já o golpe de estado consiste na derrubada ilegal de um governo constitucionalmente legítimo. Mas com definimos 1964 então? A ascensão dos militares de fato caracterizou uma mudança política radical, porém, ela se deu através da destituição de um governo constitucionalmente legítimo. Podemos falar que houve então uma revolução e um golpe combinados?

A verdade é que o termo revolução através do senso comum, ganhou uma conotação positiva. Embora, não signifique obrigatoriamente uma transformação favorável, nos acostumamos a associa-lo a movimentos que em tese propiciam progresso, liberdade e justiça, algo que tampouco é verdadeiro. Basta observarmos as Revoluções Russa, Cubana e Iraniana, que apesar de terem retirado governos anti-democráticos, corruptos e impopulares, não os substituíram por regimes mais justos e livres. A tomada do poder em 1964 pelos militares no Brasil difere desses movimentos por ter derrubado um governo democrático, o que a classifica como um típico golpe de estado. De qualquer forma, isso não faz com que esse movimento deixe de ser uma revolução, da mesma maneira que esses citados anteriormente.

De fato, pouco importa a nomenclatura. É até justo que se utilize o termo com carga mais negativa para definir um regime que cerceou direitos individuais e políticos e utilizou a violência para perseguir opositores. O que não é justo, é que boa parte dos historiadores insistam em utilizar a palavra revolução como forma de distinguir a implantação de ditaduras de esquerda daquelas de direita. Aliás, essa relativização que busca amenizar regimes autoritários de orientação socialista merece um texto próprio, em uma postagem futura.

 

 

A Escandinávia e o "Socialismo"

Passado, presente e futuro do BNDES