O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

Seja bem vindo e, como tudo na vida, aprecie com moderação!

Eike Batista e o capitalismo de araque

A queda de Eike Batista possui um simbolismo de extrema relevância. O ex-bilionário é, sem dúvidas, o grande exemplo do modelo desenvolvimentista adotado no Brasil na última década.

Como já ilustrado em artigo anterior, ao contrário de figuras como Bill Gates, Steve Jobs ou Larry Ellefson, que enriqueceram gerando uma cadeia positiva e sustentável de inovação, investimentos e empregabilidade, Eike nada mais era do que um capitalista de araque.

Sem o BNDES e sem o apadrinhamento de políticos como Sérgio Cabral e Lula, Batista não teria muito a mostrar.

Sua fugaz fortuna foi viabilizada não apenas pelo subsídio público, em parte obtido através de propinas, mas também pela insustentável euforia econômica vivenciada no Brasil entre 2004 e 2012.

Dono de empresas de logística que nada transportavam e de petroleiras e mineradoras que nada, ou quase nada, exploravam, o sucesso de Eike na Bolsa de Valores em muito decorreu da percepção equivocada da realidade vivenciada pelo Brasil na segunda metade da década de 2000.

Quem não lembra das declarações do ex-Presidente Lula de que a crise dos Estados Unidos e Europa nada mais seriam do que uma "marolinha" no Brasil? O que dizer das previsões do ex-Ministro da Fazenda Guido Mantega, tão absurdas quanto mentirosas? Qual é o papel de um político como Lula, Dilma ou Sérgio Cabral de posar ao lado de Eike Batista vestindo um macacão com o logotipo de suas empresas?

Eike foi uma das criações do nosso desastrado paradigma de governança enquanto país, onde público e privado se misturam e onde os representantes do povo definem o sucesso de empresários com bom trâmite nos corredores do poder.

A ventura de empreendedores tupiniquins à-la Eike Batista quase nunca é motivada apenas por méritos próprios e quase sempre advém das incestuosas relações com governantes, relações estas que não param de emergir no país da Lava-Jato.

Quando este ciclo terá fim? Certamente não será com Michel Temer e com o Congresso atualmente eleito.

Tempos sombrios

Capitalismo 2