O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

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O cerco ao intocável Renan

Eduardo Cunha está preso, Lula está enrascado até o pescoço, Dilma Rousseff sofreu o impeachment e Michel Temer corre o risco de ser cassado em um processo que ainda será julgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As principais lideranças políticas do país tem sofrido na pele as consequências da Operação Lava-Jato e da profunda crise política e econômica que assolam o país. A instabilidade institucional ao que tudo indica ainda está longe de chegar ao fim. Há entretanto uma figura que parece sempre estar a margem de tudo isso. Um personagem cuja habilidade política permite que ele sobreviva mesmo diante de todos os processos que envolvem seu nome, e que até hoje, pouco avançaram no Supremo Tribunal Federal (STF).

Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado Federal desde 2013, é uma das pessoas mais influentes da República. Deputado estadual e duas vezes deputado federal nas décadas de 1980 e 1990, Renan foi assessor direto do então candidato Fernando Collor de Mello na campanha presidencial de 1989, e a partir de 1990, foi o líder do governo na Câmara. Tendo rompido com Collor em 1991, Calheiros escapou do naufrágio de seu governo, manteve seu prestígio e em 1994 foi eleito para o seu primeiro mandato como senador. Foi Ministro da Justiça do governo Fernando Henrique Cardoso entre 1998 e 1999 e no ano de 2003 foi um dos principais articuladores da aproximação e da posterior aliança entre PMDB e PT.

Seu currículo é de fato impressionante. Sua habilidade em se relacionar com os mais diversos grupos políticos é reconhecida por todos em Brasília. Mas tão notáveis quanto seus talentos, são as suspeitas que recaem sobre ele e principalmente sua capacidade de permanecer aparentemente imune a elas. Em 2007, a Revista Veja divulgou que, em troca de favores, a empreiteira Mendes Junior pagava R$ 12 mil por mês para sustentar uma amante de Renan. Desde então surgiram uma série de outras denúncias envolvendo seu nome, desde a compra de rádios em Alagoas utilizando laranjas, até tráfico de influência. Hoje, para completar, Calheiros é investigado na Operação Lava Jato por recebimento de propinas, e na Operação Zelotes por supostamente ter participado da negociação de venda de medidas provisórias. No total, o Presidente do Senado tem seu nome envolvido em nada menos que 12 processos no STF, porém até hoje, por incrível que pareça, ainda não virou réu em nenhum.

O comportamento recente de Renan, entretanto, indica que esse tempo de tranquilidade pode estar acabando. O sempre sereno Presidente do Senado na última semana perdeu a compostura e disparou sua metralhadora giratória contra membros do poder judiciário e contra o Ministro da Justiça, Alexandre de Moraes. Tudo por causa de uma operação da Polícia Federal que ousou interferir no seu feudo político. Quatro agentes da Polícia do Senado, sob o comando de Renan, foram presos, acusados de obstrução de justiça. Eles teriam feito varreduras nas casas dos senadores Fernando Collor (PTB-AL), Gleisi Hoffman (PT-PR), Edison Lobão (PMDB-AL) e do ex-Presidente José Sarney, a fim de eliminar qualquer tipo de escuta telefônica, fosse autorizada pela justiça ou não.

A reação de Calheiros provocou uma crise institucional. A Presidente do STF, Ministra Carmen Lúcia saiu imediatamente em defesa do juiz que havia autorizado a operação e o Presidente Michael Temer tratou de convocar uma reunião de emergência com a presença dele próprio, da ministra, de Renan e do Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), visando aparar as arestas. Nada porém poderá apaziguar o clima a ponto de tranquilizar Renan. O cerco está fechando sobre ele e a ação da Polícia Federal foi um recado direto da Justiça no sentido de deixar claro que nem mesmo dentro de seus domínios o Presidente do Senado está mais livre da força da lei.

Resta agora aguardar os próximos capítulos dessa história. Será que Renan continuará no ataque ou recorrerá à sua velha e conhecida habilidade nos bastidores para se manter ileso. Meu palpite é que, pelo menos por enquanto, ele adote a segunda opção. Que o Supremo tenha idoneidade, independência e responsabilidade de não se deixar envolver por isso, e que dessa maneira, o Presidente do Senado finalmente responda por tudo aquilo que é acusado. Já passou da hora...

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