O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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Impressões do segundo dia do julgamento final do impeachment

Os debates começaram quentes no segundo dia da fase final do processo de impeachment da Presidente Dilma Rousseff. Uma questão de ordem levantada pela Senadora Gleisi Hoffmann, ainda relativo ao depoimento de testemunha do dia anterior, motivou dezenas de pedidos de fala e intervenções de outros Senadores. 

Paralelamente, o advogado de Dilma, José Eduardo Cardozo, optou pela dispensa de uma testemunha que teria sido agraciada com um cargo de assessora indicado pela mesma Gleisi Hoffmann. Cardozo também pleiteou que uma das testemunhas seja ouvida como informante, já que teria participado da perícia realizada na comissão especial do impeachment no Senado.

Ainda nos debates iniciais, os ânimos se acirraram definitivamente com a intervenção do Presidente Renan Calheiros que, além de clamar pela objetividade dos Senadores, também criticou duramente Gleisi Hoffmann por apontar na seção de ontem que aquela casa não teria "capacidade moral" para julgar Dilma Rousseff, quando ele próprio teria "intervido" no STF para auxiliar Gleisi e seu marido após indiciamento por conta de supostas propinas recebidas.

Na palavra do próprio Renan, o Senado estava se comportando como um verdadeiro hospício.

Em função dos nervos quentes, Ricardo Lewandowski anunciou a suspensão da sessão por cinco minutos, mas os trabalhos só foram retomados após duas horas.

A primeira testemunha pró-Dilma, o professor Luís Gonzaga Belluzzo, começou sua fala destacando a ineficiência de Dilma Rousseff na gestão da economia e que suas políticas teriam aprofundado a crise econômica em que nos encontramos. Por isso mesmo, não teriam ocorrido "pedaladas fiscais", mas sim "despedaladas", já que Dilma deveria ter gastado ainda mais do que efetivamente gastou, em que pese o rombo recorde nas contas do Governo Federal em 2015. 

Não é o objetivo destas breves análises sobre os trabalhos no Senado o aprofundamento nas questões discutidas pelos Senadores e pelas testemunhas, mas o raciocínio defendido pela base de apoio de Dilma Rousseff foge ao bom-senso. Em um momento de crise grave, queda de receitas e ampliação de déficit, a solução proposta por Lindbergh Farias e seus colegas é o de colocar as contas do Governo ainda mais no vermelho.

Evidentemente, um ajuste com cortes drásticos não ajuda a economia a se recuperar, mas a utilização inconsequente de uma espécie de "cartão de crédito" com juros altíssimos tem impactos extremamente negativas para as finanças públicas. Gastar muito quando já se está atolado em dívidas não funciona em uma família e também não funciona em um país.

No mais, as perguntas ofertadas pelos parlamentares do PT e do PCdoB, em sua maioria, envolveram questões que fugiram ao mérito do impeachment. 

Lindbergh Farias, como já apontado acima, discorreu sobre teses de política econômica, Vanessa Grazziotin, que veio em sequência, postulou o questionamento se a crise internacional contribui para a crise brasileira. Posteriormente, Paulo Paim, Senador do PT, lembrou da política de valorização do salário mínimo. Regina Souza, do PT do Piauí, questionou o que seria do Brasil após o impeachment em termos econômicos. Outros parlamentares se prestaram a fazer discursos, afirmações ou juízos de valor sobre os governos de Dilma, Lula e, até mesmo, FHC.

Ora, tais questionamentos e ponderações não fazem parte das acusações contra Dilma Rousseff, que envolvem unicamente as chamadas "pedaladas fiscais" e os decretos de crédito suplementar. 

Ao que parece, os Senadores contrários ao impeachment fazem perguntas que buscam unicamente contrapor o entendimento de que Dilma Rousseff é responsável direta pelo grave momento econômico que vivemos. Tal tática, entretanto, não parece ter funcionado como esperado, já que fala da primeira testemunha de defesa foi veemente em indicar que Dilma geriu a economia de forma errática e acabou por aprofundar a crise em que nos encontramos.

Segundo relatos da imprensa, seguindo conselhos de Lula, Dilma deverá adotar um tom político em seu discurso na segunda-feira, deixando de analisar em detalhes a ocorrência ou não de crime de responsabilidade para focar-se em questões como o Pré-Sal e na alegada privatização da Pretrobrás, que só agora começa a se recuperar das dificuldades ocorridas durante a gestão Rousseff.

Veremos se esta estratégia funciona.

Alguém notou que começou a corrida eleitoral para prefeito?

Impressões do primeiro dia do julgamento final do impeachment