O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

Seja bem vindo e, como tudo na vida, aprecie com moderação!

Eduardo Suplicy, o político necessário

Em 1919, um dos mais importantes Cientistas Políticos de todos os tempos, o alemão Max Weber, ministrou a famosa palestra “A política como profissão e como vocação” e, em determinado momento, ele diz:

“Quem quiser fazer política, e muito mais aquele que quiser ser político profissional, deverá ter consciência desses paradoxos éticos e de sua responsabilidade por aquilo em que ele próprio poderá se transformar sob pressão desses mesmos paradoxos”.

O que Max Weber está nos dizendo é que a ética política nem sempre é a ética socialmente aceita, ou seja, como ator político eu direciono ações que fora da política eu questionaria. No entanto, e é bom ressaltar, o cientista político alemão não está fazendo juízo de valores nesta sua abordagem. Não se trata de ações boas ou más. Neste caso, trata-se de uma análise extremamente racional em que o político, às vezes, precisa realizar questões que fogem de sua causa inicial.

Em meu entendimento, Eduardo Suplicy é um dos poucos políticos no Brasil que soube balancear esta importante questão política.

Desde a fundação do PT, ele foi um dos poucos políticos que se manteve próximo da base do partido e dos movimentos sociais. Os principais líderes dos movimentos sociais de São Paulo possuem seu número de telefone celular, e, sempre que possível, ele os atende.

Em uma sociedade personalista como a nossa, isso é uma baita virtude e (in)felizmente é assim que funciona.

O ex-senador paulista devia ter seguido alguns colegas e ter migrado para outro partido político. O PT de algum tempo para cá não merece ter um quadro como ele.

Não sair do PT é um erro que sua convicção não o permitiu enxergar. No entanto, ele soube se distanciar da podridão que a cúpula petista transformou o partido. Ele assumiu uma posição de coadjuvante na elite partidária, nunca assumiu um ministério e não está envolvido em nenhuma das acusações que pesam sobre os principais quadros do PT e de outros grandes partidos brasileiros.

Em sua fala final na palestra acima citada, Max Weber diz algo muito interessante:

“Apenas quem souber, com certeza, que não se desesperará se o mundo, do seu ponto de vista, for estúpido ou malvado demais para aquilo que pretende lhe oferecer, quem conseguir dizer “apesar de tudo isso” e “mesmo assim”, apenas essa pessoa terá a vocação para a política”.

Dentre tanta barbaridade vista de dentro da política e, também, tanta barbaridade vista na sociedade, Eduardo Suplicy parece dizer: “mesmo assim eu pretendo continuar”.

Não quero eleger super heróis na política, mas ao ser preso nesta semana, aos 75 anos de idade, o Suplicy nos mostrou que “apesar de tudo isso” não vai desistir e isso, para mim, é muito importante.

Vida longa ao Eduardo Suplicy. 

A ressaca do impeachment

Alemanha na mira do terrorismo