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A carência de novas lideranças políticas no Brasil

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Ontem durante a transmissão do Café com Politik #1, falamos sobre a carência de novos líderes políticos no Brasil. A democracia já se reestabeleceu há quase três décadas, e as principais lideranças do país ainda são aquelas que se destacavam na longínqua década de 1980. O exemplo claro disso, são os ex-Presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, que apesar da idade já avançada, continuam tendo papel preponderante na vida política brasileira.

As razões para essa incapacidade de produzirmos novos líderes são diversas e passam desde questões da estrutura partidária até a corrupção sistemática que ocorre no país desde que se tem notícia. Tentarei elencar abaixo, alguns desses pontos de forma objetiva:

Estrutura "feudal" dos partidos políticos - Os partidos políticos no Brasil costumam se organizar através de hierarquias que muitas vezes lembram até mesmo a mafia italiana. O poder se concentra na mão de determinados grupos, ou até mesmo famílias, distribuídas geograficamente pelo país. Há casos clássicos como a família Sarney no PMDB e no DEM do Maranhão, o grupo ligado a Antônio Carlos Magalhães no DEM baiano, a família Barbalho no PMDB paraense, os irmãos Viana no PT do Acre e os Calheiros no PMDB de Alagoas. Esses grupos comandam as parcelas regionais de seus partidos da maneira que desejam e de acordo com seus interesses, dificultando fortemente a ascenção de outras lideranças locais.

- Ego e apego ao poder - Talvez o maior exemplo nesse sentido seja o ex-Presidente Lula. Como mencionamos no texto Dilma Rousseff, o maior erro de Lula, o ex-Presidente nunca teve interesse em criar novas lideranças que por ventura viesse a ameaçar seu "reinado" no PT. Lula queria ser a estrela única da companhia, até por isso "inventou" Dilma, afinal julgava que ela nunca colocaria em risco seu protagonismo no partido, e assim ele poderia voltar ao poder no momento que desejasse. Existem diversos exemplos semelhantes na política nacional. Em 1996, César Maia, então prefeito do Rio de Janeiro, "inventou" Luiz Paulo Conde. No mesmo ano o prefeito de São Paulo, Paulo Maluf, escolheu o inexpressivo Celso Pitta como seu substituto no cargo. Na última eleição foi a vez do desconhecido Luis Fernando Pezão ter sido alçado por Sérgio Cabral Filho a posição de candidato ao Governo do Estado do Rio de Janeiro. Todos eles foram eleitos, e seus governos invariavelmente falharam.

Falta de participação popular - O brasileiro tradicionalmente tem pouco interesse na política. Raramente acompanhamos a atuação de nossos representantes, e nunca buscamos participar de alguma forma da vida política. Exceto alguns representantes de determinados grupos, especialmente de esquerda, como sindicatos ou líderes estudantis, há pouca sinergia entre eleitores e seus representantes. Dessa maneira, na maioria das vezes há uma distância enorme entre a classe política, até mesmo vereadores que em tese são aqueles mais próximos dos eleitores, e a sociedade. Esse distanciamento desfavorece o surgimento de líderes que tenham maior legitimidade popular.

- Corrupção - As práticas ilegais que a Operação Lava Jato tem revelado nos últimos anos, não são novidade alguma. A política brasileira tem historicamente consagrado esse tipo conduta desde sempre. De uma forma ou de outra, em níveis diferentes, a corrupção sempre fez parte da vida política brasileira. Em função disso, muito gente qualificada e bem intencionada desiste da vida pública. O resultado disso vemos ao assistir as sessões da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal, onde invariavelmente verificamos um espetáculo lamentável, proporcionado por gente sem o menor preparo.

O cenário é o mesmo praticamente durante toda a república. Entretanto, a expectativa é que a Operação Lava Jato venha a forçar uma mudança nessa conjuntura histórica. Diversos políticos dos mais variados partidos tem sido delatados. A tendência é que a composição política no Brasil seja sensivelmente afetada. A questão é: o quanto essa composição vai ser alterada? Será que novas lideranças surgirão da noite para o dia?

É evidente que é necessário que a estrutura de poder vigente no país seja completamente substituída. É indispensável que seja algo definitivo e sem "conchavos". A Lava Jato é importante, mas é apenas um passo inicial, e que evidentemente em um primeiro momento abrirá uma lacuna perigosa. Líderes com discurso mais radical, tanto de direita quanto esquerda, podem se aproveitar. Nomes como Jair Bolsonaro ou Luciana Genro, que normalmente seriam carta fora do baralho em uma eleição presidencial, embora não se tornem favoritos, tendem a ter votações mais expressivas em 2018. Porém, esse expurgo proporcionado pela Lava Jato é indispensável.

Precisamos de novas idéias, de eleitores mais vigilantes e participativos e principalmente de gente mais qualificada na vida pública do país. Somente dessa forma será possível alterar a dinâmica da política brasileira, mudar a relação do nosso povo com seus representantes, promover novas práticas e gerar novas lideranças.

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