O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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Rejeição Geral

Em meio a crise política e o iminente impeachment da Presidente Dilma Rousseff, o Ibope divulgou uma pesquisa que aparentemente trouxe más notícias para todas as principais forças políticas do país. Embora a pesquisa indique que a grande maioria dos brasileiros deseja o afastamento da Presidente, é ainda maior o número de pessoas que não desejam que o Vice-Presidente Michel Temer assuma seu lugar. O recado das ruas parece claro e o desejo é que sejam realizadas novas eleições. Mas serão essas, boas novas para Lula, Aécio, Marina e companhia? O Ibope diz que não.

De acordo com a pesquisa, apenas 25% dos entrevistados desejam que Dilma termine seu mandato, enquanto 70% afirmaram preferir que a Presidente seja afastada. Entretanto, apenas 8% destes desejam que Temer assuma a Presidência. Os outros 62% preferem que novas eleições sejam realizadas imediatamente. É um número muito expressivo e certamente mostra o tamanho do desafio que um eventual Governo Temer terá pela frente. Ele não terá margem para o erro. Se quiser conquistar legitimidade perante a população brasileira, o atual Vice-Presidente precisará mostrar resultados rapidamente, de preferência antes da votação definitiva do impeachment de Dilma, que deve ocorrer no Senado Federal em até 180 dias.

O Ibope também quis saber dos entrevistados em quem eles com certeza votariam, em quem eles possivelmente votariam e em quais candidatos jamais votariam, caso fossem realizadas novas eleições. O resultado foi o seguinte:

Lula lidera entre aqueles que certamente votariam em um determinado candidato, com 19% dos entrevistados não tendo dúvida que escolheriam ele, mas perde no potencial de voto (certamente votariam + possivelmente votariam) para Marina Silva. Marina tem potencial de 39%, enquanto Lula tem 31%, índice muito semelhante ao de Aécio Neves que tem 32%. Mas o que mais chama atenção nessa pesquisa é a rejeição dos virtuais candidatos. O mesmo Lula que tem com folga o maior número de entrevistados que certamente votariam nele, tem 65% de rejeição, ou seja praticamente 2/3 dos participantes da pesquisa jamais votariam nele. Isso mostra que embora ainda goze de um capital político significativo, o ex-Presidente teve sua imagem bastante prejudicada pelo mau governo de Dilma Rousseff e pelas suspeitas, levantadas pela Operação Lava Jato, que pairam sobre ele. Os três nomes do PSDB indicados na pesquisa também mostram crescente nível de rejeição, tendo já superado os 50%. Já Marina tem 46% e Ciro Gomes 45%, índices bastante elevados para políticos que nunca foram protagonistas em nossa política, embora sejam velhos conhecidos do eleitorado. Surpreendentemente, o polêmico deputado Jair Bolsonaro apresentou o menor índice, mas isso é fruto de ainda ser desconhecido por 54% do eleitorado.

O brasileiro exige o impeachment da Presidente Dilma, pede novas eleições, mas claramente dá sinais que rejeita os políticos tradicionais. Embora o PT seja o maior prejudicado pela crise política, o cidadão demonstra que está insatisfeito acima de tudo com a classe política do país. Há um clamor por mudanças mais efetivas e mais radicais. O cenário político eleitoral não tem mais espaço para aquela polarização PT-PSDB, que vigorou no país nas últimas duas décadas. Nomes tradicionalmente apresentados como uma "terceira via", como do ex-Governador do Ceará, Ciro Gomes e da ex-Senadora Marina Silva também estão desgastados e parecem não agradar a parte significava do eleitorado. O caminho encontra-se completamente aberto para novas forças políticas, novos líderes e até mesmo para eventuais aventureiros e azarões. Nunca o cenário político do país esteve tão imprevisível. Já passou da hora da política brasileira se reinventar...

 

A farra partidária brasileira

O Brasil perdeu a sensibilidade para o absurdo