O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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Michel Temer indo ladeira abaixo

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Por que aceitamos um presidente como Michel Temer?

Essa pergunta tem me inquietado desde a publicação das pesquisas de opinião sobre seu governo que mostram sua aprovação ladeira abaixo.

Hoje, nós temos um presidente que, segundo a margem de erro, não tem aprovação absolutamente nenhuma dos brasileiros e brasileiras.

O que faz com ele se mantenha no poder.

Em minha opinião, alguns elementos devem ser debatidos.

Em primeiro lugar, Michel Temer utiliza-se de uma velha prática, conhecida de estudiosos da Ciência Política e de governantes impopulares: o discurso da recuperação econômica. Tudo pode estar desabando. Tudo pode estar um caos. Mas os governos com baixa popularidade conseguem se legitimar através do discurso de que a economia está voltando a girar e que o desenvolvimento do país está retomando seu rumo.

Na ditadura militar foi assim. Em vários momentos da história foi assim.

Acontece que, repito mais uma vez, crescimento econômico não é a mesma coisa que desenvolvimento.

O Brasil está entre as 10 maiores economias do mundo e isso faz do Brasil um país desenvolvido?

A China cresceu nos últimos 15 anos a uma média de 9% ao ano e isso fez com ela deixasse de ser um país majoritariamente pobre? Esta enorme média de crescimento tornou a China numa gigante fábrica de produtos desenvolvidos pelos Estados Unidos, Japão e Europa.

Outro elemento que faz com que Michel Temer mantenha-se no poder, em minha opinião, é a completa destruição da ponte entre a sociedade civil e a classe política no Brasil (ressaltando que isso é um movimento global, mas eu vejo que este movimento acontecendo mais seriamente em nosso país).

As pessoas estão cansadas da política e isto é gravíssimo. Qual sociedade no mundo não se organiza através da política? Qual sociedade no mundo não se organiza através de partidos políticos?

Em todos os países do mundo (até Coréia do Norte) há partidos políticos. Nós precisamos deles!

Os partidos políticos deixaram de agir na sociedade como fato de cultura para se tornarem apenas máquinas eleitorais. Não importa mais quantos quadros políticos um partido político formou, importa-se apenas quantos candidatos ele elegeu (mesmo que seja um palhaço ou um ex-BBB).

A função precípua do partido político é a de ser um elo entre a sociedade civil e a classe política, onde o partido atuaria na comunidade formando agentes/lideranças/quadros da sociedade civil que atuariam no campo da política e, assim, disputariam eleições.

A descrença nos partidos políticos e na política, de forma geral, fundamenta esta situação bizarra que nós vivemos encarnada na figura do Michel Temer – um presidente que promete a volta do crescimento econômico, mas não se importa com o desenvolvimento do país.

Adianta crescer e não desenvolver?

Em 2010 o Brasil teve um crescimento de 7,5% de seu PIB e na década de 2000 teve numa média de quase 4% ao ano.

Crescemos, mas nos desenvolvemos?

Somos uma sociedade, no mínimo, mais republicana do que na década de 1990?

Eu realmente acho que não.

O discurso do crescimento econômico não me seduz. É óbvio que ele é importantíssimo, mas ele por si só não criará um país desenvolvido.

Eu gostaria de ver menos promessa de crescimento econômico e mais promessas que permitissem ao Brasil dar um passo à frente no meio desta crise. Um passo na direção de realizar reformas importantes para a sociedade brasileira. Um passo na direção de se criar um senso verdadeiramente republicano em todo país. Um passo no sentido do bem comum.

Mas não é o que vemos.

Michel Temer está indo ladeira abaixo e, pior, está nos levando junto.

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