O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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Ainda sobre a "mini-reforma educacional"

Já havia escrito anteriormente sobre a importância de uma profunda reforma que redefina as prioridades de ensino no Brasil. O que temos hoje no país é um modelo que privilegia o subsídio estatal de universidades privadas. Programas como o FIES e PROUNI, ainda que importantes, foram ampliados massiva e descontroladamente, representando a maior parte do esforço governamental visando a melhoria dos nossos índices escolares.

Com a crise, o número de alunos prejudicados com a não renovação de seus contratos de empréstimo universitário atinge a casa das dezenas de milhares. Além disso, a maior parte destes estudantes não consegue pagar seus débitos ao final dos estudos, seja por conta da baixa empregabilidade de diplomados em pedagogia ou administração, seja pela péssima qualidade de boa parte das universidades brasileiras.

É urgente que haja uma repriorização de esforços e recursos para a escola primária e secundária. É ali onde se aprendem as primeiras operações matemáticas, as noções básicas de civilidade e os fundamentos da língua portuguesa. Sem isso, de nada adianta um diploma em direito, já que o aluno não irá conseguir passar na prova da OAB.

A muito criticada Medida Provisória n. 746, publicada em 23/09/2016, representa a primeira tentativa em algum tempo de se modificar certas estruturas do chamado ensino médio. Aos adeptos do movimento Fora-Temer, digo desde logo que esta MP foi elaborada em sua maior parte pela gestão de Dilma Rousseff. Já se encontrava praticamente pronta e apenas alguns ajustes foram feitos.

O ponto central de discórdia e comoção envolvendo a retirada da obrigatoriedade de matérias como artes e educação física não se justifica. Tal retirada foi postergada até a aprovação de uma nova Base Nacional Comum Curricular, algo que será alvo de discussões em inúmeras audiências públicas que ainda serão realizadas.

A realidade é que a maior parte dos alunos egressos de escolas públicas possui sérias dificuldades cognitivas, incluindo pouco domínio de habilidades fundamentais como interpretação de texto, matemática e língua inglesa.

Filosofia e sociologia são sem dúvidas muito relevantes, mas sem o domínio do português, dificilmente o aluno terá condições de absorver ensinamentos de Sócrates ou Aristóteles. Artes e educação física também são importantes, mas talvez sejam realmente essenciais na escola básica e não nos últimos anos da vida escolar. Por fim, importante se considerar que tais disciplinas não foram banidas das escolas e ainda poderão ser oferecidas de acordo com a capacidade de cada ente da federação.

Fato é que os alunos brasileiros são consistentemente os piores em disciplinas elementares quando se trata de comparações com outros países em níveis de desenvolvimento semelhantes. Mais tempo na escola e foco em matérias chave, que terão impacto direto no potencial de crescimento econômico do país e na melhoria das condições de vida das pessoas, não me parecer ser algo negativo.

De qualquer forma, uma coisa é certa: precisamos de mais, muito mais do que apenas esta medida provisória.

As eleições municipais e o futuro

Medida Provisória 746/2016