O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

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Alemanha na mira do terrorismo

Os diversos atentados dos últimos dias mataram dez, feriram outras dezenas e aterrorizaram centenas de milhares em quatro cidades distintas, deixando bem claro que a maior nação da Europa agora também é alvo de fanáticos religiosos.

A Alemanha estava até então imune a este tipo de ataque. A explicação usual ia no sentido de que o país não era ativo no envio de tropas de combate e na realização de bombardeios no Oriente Médio. Fora isso, ao lado da Suécia, a Alemanha abrigou a maior parte dos refugiados oriundos dos conflitos na Síria, Líbia, Iraque e Afeganistão e está gastando fortunas na tentativa de integrar um contingente de pessoas na casa dos milhões, o que também teria sido visto com bons olhos no mundo islâmico.

A consequência direta desses ataques será um aumento ainda maior da popularidade de partidos como o AfD (Alternative für Deutschland), que certamente irá conquistar posições importantes nas próximas eleições. Ademais, acredito que a política de abrigo dos refugiados de Angela Merkel será revista, abrindo espaço inclusive para a formação de uma nova coalizão de governo sob a liderança de outro Chanceler. Fala-se bastante no nome do ministro-presidente da Bavária, Horst Seehofer, um crítico ativo da recepção de refugiados autorizada por Merkel. O perigoso populismo representado por Trump, Le Pen e Nigel Farage ganhará cada vez mais força também na maior economia do velho continente.

Fica claro, portanto, que um dos principais afetados por esses ataques será a própria população muçulmana, em sua maior parte pacífica, que continuará a ser alvo de discriminação e terá cada vez maior dificuldade de integração e permanência no país. Por isso mesmo, ainda que ataques terroristas sejam sempre injustificáveis, a opção dos islamitas por mirar justamente na Alemanha é efetivamente incompreensível.

Como dito acima, o país germânico é um dos únicos membros da UE que tem aceito e procurado integrar refugiados muçulmanos. Ao contrário da França, os imigrantes que vieram do Médio Oriente ao longo do Século XX tiveram algum sucesso em sua busca por melhores condições de vida. Os guetos de instabilidade e desesperança que rodeiam as grandes cidades francesas são raros em solo alemão.

Ainda assim, os ataques do final de julho evidenciam que há muito trabalho a fazer, seja na área de segurança pública, seja no que se refere às políticas direcionadas aos imigrantes, refugiados e seus descendentes.

Se analisarmos o perfil dos responsáveis pelos atentados, vemos que todos são jovens que levaram vidas à margem da coletividade. Como integrar aqueles que parecem não ter interesse participar de uma sociedade avançada, laica e livre? Um desafio, sem dúvidas, mas uma tarefa que não pode ser declinada. A história deste país demonstra que posições autoritárias e perseguição de minorias somente contribuem para levar a Alemanha e o mundo ao caos total.

Eduardo Suplicy, o político necessário

Eduardo Cunha, o homem cordial.