O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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Aécio Neves, a responsabilidade do voto e o patrulhamento político

Se as gravações feitas por Joesley Batista, dono da JBS, e divulgadas na última semana, tiveram um impacto profundo e ainda incalculável sobre o Presidente Michel Temer e seu governo, elas tiveram consequências ainda mais devastadoras e praticamente sepultaram a carreira política do Senador Aécio Neves. Segundo colocado na última eleição presidencial e um dos políticos mais influentes do país, Aécio ficou em uma situação absolutamente insustentável e tudo leva a crer que muito em breve seu mandato no Senado Federal será cassado, podendo até mesmo abrir caminho para uma eventual prisão.

Devo confessar que votei em Aécio em 2014. E não foi só isso… Fiz uma ativa campanha nas redes sociais defendendo sua candidatura e cheguei inclusive a estar presente em um de seus comícios. Acreditei em suas ideias, em seu programa de governo e até mesmo na sua lisura. Talvez tenha sido inocente demais e certamente não me orgulho disso. Ainda assim, não vejo razões para constrangimento. A grande adversária do senador mineiro naquele pleito, Dilma Rousseff, representava um grupo político comprovadamente envolvido em práticas tão condenáveis quanto, e que em nome de seu projeto de poder produziu a mais profunda crise econômica da história do país.

Fato é que o voto não significa plena anuência em relação as ações de seu candidato e tampouco significa compromisso de fidelidade partidária. É natural que tenhamos críticas, discordâncias e que em determinadas situações votemos naquele que julgamos “menos pior”, assim como é deveras nobre que mantenhamos o senso crítico após o voto e que eventualmente reconsideremos nossas posições, chegando até mesmo a nos opor aqueles que um dia apoiamos. Isso tudo é legitimo, ainda que não nos absolva da responsabilidade por nossas escolhas passadas.

Há de se ressaltar porém, que qualquer sentimento de arrependimento ou culpa que uma opção equivocada possa trazer, deve ser algo estritamente pessoal. Não que não possamos ser influenciados ou influenciarmos outras pessoas. O que não pode acontecer é o espetáculo lamentável de patrulhamento político que vemos especialmente nas redes sociais. A necessidade de apontar o dedo uns para os outros, numa espécie de Fla x Flu político, e eleger culpados, não soa muito diferente da caça as bruxas típica da Idade Média. Um tremendo retrocesso e uma verdadeira demonstração de intolerância, arrogância e falta total de entendimento do que é viver sob um regime democrático.

O debate político é enriquecedor e o antagonismo de idéias é pedra fundamental para a construção de um sociedade mais avançada, mas é de suma importância que não se confunda tal conceito com o patrulhamento de idéias. É necessário que se entenda que jamais haverá verdade absoluta e por isso é imprescindível se portar com humildade tanto para respeitar as ideias dos outros, como para também reconhecer nossos erros e buscar corrigi-los no futuro. Isso vai muito além do conceito de democracia. Isso é uma lição de civilidade.

A burguesia tupiniquim

Acreditem, não chegamos ao fundo do poço!