O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

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O que a propina juntou, só a Lava Jato há de separar

Realmente o cenário político brasileiro parece estar ficando a cada dia com mais cara de ficção. Algo como aqueles filmes de Hollywood que falam sobre os bastidores do poder, são recheados de manipulação, conspirações, traições, e que até a última cena não sabemos bem que é vilão e quem é mocinho. A grande diferença é que aqui, talvez não tenhamos mocinhos.

A série de gravações de conversas do ex-Presidente da Transpetro, Sérgio Machado, envolvendo figuras influentes como os Senadores Romero Jucá (PMDB-RR) e Renan Calheiros (PMDB-AL), e o ex-Presidente José Sarney (PMDB-AP), foram o mais recente capítulo dessa história. Os grampos feitos pelo próprio Machado, em março desse ano, e revelados pela Folha de São Paulo, foram fundamentais para que ele tivesse homologada sua delação premiada na Operação Lava Jato. Sérgio Machado, que agora parece estar disposto a falar tudo que sabe, é suspeito de ter sido um dos operadores do PMDB no esquema de propina na empresa.

O teor das conversas é revelador, embora não seja surpreendente. Durante todos os diálogos, fica clara a preocupação da classe política com os rumos que a Lava Jato tomou. O tema sempre gira em torno de encontrar maneiras para se "driblar" a força-tarefa e o Juiz Sérgio Moro. E parece haver um consenso que o impeachment da Presidente Dilma, que aquela altura ainda não havia sido autorizado pelo Congresso Nacional, era possivelmente a única saída para que um "acordão" acontecesse, de modo a frear a operação. 

A reação daqueles contrários ao impeachment foi imediata. Eles que já pareciam resignados com o destino da Presidente afastada, enxergaram ali a oportunidade de fortalecer o já batido discurso do "golpe". Mas cabe o questionamento: Isso de fato enfraquece o processo de impeachment, que agora tem o mérito em fase de julgamento no Senado Federal? Dilma e o PT se fortalecem a partir de agora?

De maneira alguma. Muito pelo contrário. É inegável que os diálogos de fato enfraquecem não só o governo de Michel Temer, como todo o PMDB. Mas eles também atingem violentamente o próprio PT, que até hoje não admite que tenha montado uma estrutura criminosa funcionando dentro da Petrobras para financiar os partidos da antiga base governista. As gravações na verdade reforçam ainda mais a tese levantada pela Operação Lava Jato, de que o PT, com apoio de seus então aliados, entre eles o PMDB, usurpou sistematicamente recursos da companhia para pagar sua campanhas eleitorais e assim, se perpetuar no poder.

A motivação dos principais caciques do PMDB para apoiar o impeachment pode até ter sido escusa, mas isso não isenta Dilma dos crimes que ela e seu partido cometeram. Além das famosas "pedaladas", a Presidente afastada foi eleita duas vezes em campanhas financiadas por dinheiro proveniente de propinas. O PMDB durante esse tempo todo foi um importante aliado, e só resolveu lutar pelo afastamento de Dilma por um mero cálculo político. Eles não achavam que ela seria suficientemente capaz de barra a Lava Jato, muito embora fosse desejo dela e do PT, e por isso queriam tomar as rédeas do processo. O que eles não contavam é que a força-tarefa não vai parar.

A verdade é que, como disse a ex-Senadora Marina Silva, PT e PMDB são irmão siameses dessa crise. Mesmo tendo simpatia por muitas medidas que o Presidente interino Michel Temer tem anunciado, especialmente na economia e na política externa, acho improvável que seu governo saia ileso ao final das investigações da Lava Jato. Cada vez, fica mais evidente que o caminho mais correto é a cassação da chapa Dilma-Temer, assim como a extinção dos registros do PT e do PMDB. Não há destino mais justo que esse para quem se utilizou da máquina pública, como essa turma fez nos últimos 13 anos. 

 

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