O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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Um país de concurseiros

O grande sonho de boa parte da juventude brasileira recém egressa da Universidade é garantir a estabilidade financeira através de um concurso público. Justamente no momento em que deveriam estar mais dispostos a empreender e, consequentemente, empregar, boa parte desses jovens optam pelos estudos para que um dia possam, eventualmente, galgar um cargo público com remuneração garantida.

Evidentemente, não podemos negar que alguns destes chamados concurseiros de fato possuem não apenas o talento, mas a pré-disposição e, efetivamente, o sonho de ingressar em determinada carreira que somente é acessível mediante concursos. Ainda assim, acredito que a maior parte destes jovens são atraídos não por vocação, mas pelo salário e benefícios, dedicando anos de suas vidas neste projeto, muitos deles sem sucesso.

Tal panorama possui uma consequência direta não apenas na vida dessas pessoas, mas também na do país. O Brasil tem uma necessidade urgente de ampliar o empreendedorismo e a inovação como forma de catapultar nosso desenvolvimento. Empresas como Facebook, Google, Microsoft e Apple surgiram justamente por conta das experimentações realizadas durante ou pouco após o período universitário. Temos pouquíssimos exemplos semelhantes em nosso país.

Ao contrário das economias avançadas, o sonho da nossa juventude mais talentosa, usualmente, não é fundar uma startup ou mesmo ingressar em uma grande empresa para um dia utilizar aquela experiência e criar o seu próprio negócio. Boa parte da chamada Geração-Y almeja pelo resto de suas vidas servir o cada vez mais inflado Estado brasileiro.

A causa deste problema não reside apenas em nossa população. Como seres humanos, aproveitamos instintivamente as oportunidades que dão um maior retorno ao investimento necessário, seja ele financeiro ou temporal. Os salários ofertados pelo Estado, em nível federal, estadual e municipal, são usualmente muito maiores do que funções semelhantes no setor privado. Tal patamar remuneratório, aliado às vantagens inerentes dos cargos públicos, praticamente inviabilizam a sempre arriscada opção por empreender.

Além de diminuir a competitividade e inovação da economia nacional, esta discrepância remuneratória entre setor público e privado acarreta um verdadeiro engessamento orçamentário do Estado, fazendo com que cada vez menos recursos possam investidos, por exemplo, em melhorias da nossa combalida infraestrutura. Cerca de 3/4 do orçamento da União está comprometido com as chamadas despesas obrigatórias, sendo a maior parte deste montante gasto com pessoal ativo e inativo.

Esta tendência é insustentável.

É importante termos um quadro de servidores públicos capacitados, mas justamente por conta da estabilidade e benefícios como aposentadoria integral, a remuneração dessas funções não pode ser excessivamente superior àquelas oferecidas no setor privado. Do contrário, o problema narrado acima se intensificará, reduzindo ainda mais as nossas chances de crescimento e dinamização da economia. Quando analisamos em longo prazo, as consequências da manutenção desta política podem ser catastróficas para o país...

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