O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

Seja bem vindo e, como tudo na vida, aprecie com moderação!

O fator Lula

Luiz Inácio Lula da Silva é sem dúvidas a figura política mais controversa do País. Em um país com pouquíssimas lideranças verdadeiramente carismáticas, não é surpresa o fato do fundador do PT ainda ser amado (e odiado) por milhões.  Se as últimas pesquisas eleitorais demonstram que Lula permanece sendo um expoente de inegável força eleitoral, alguns de seus discursos mais recentes deixam clara a sua sagacidade política. 

Em recente intervenção no lançamento do 6o. Congresso Nacional do PT, o ex-Presidente externou a sua insatisfação com a atual tática adotada pelas esquerdas, especialmente pelo PT e PCdoB. De forma simplista, reducionista e pouco propositiva, Lindbergh Farias, Gleisi Hoffmann, Jandira Feghali e seus associados nada mais fazem do que alardear os já cansados jargões do “golpe” e “golpismo”.

Disse Lula: “Nós ficamos gritando “Fora Temer” e o Temer está lá dentro. Gritamos “não vai ter golpe” e teve golpe. Estamos gritando contra as reformas e eles estão aprovando as reformas em tempo recorde”. 

A principal preocupação de Lula no momento parece envolver o fosso econômico do qual o Brasil ainda não saiu. 

Assim como a transposição do Rio São Francisco, obra planejada e executada em sua maior parte pelos Governos do PT e sobre a qual a atual administração tenta angariar alguma publicidade, o povo brasileiro tem real noção que a crise sem precedentes atualmente vivenciada não foi concebida, gerida e parida por Michel Temer ou sua equipe econômica.

Por mais que sites como Brasil247 e outras publicações vinculadas ao PT tentem colocar toda a culpa sobre Henrique Meirelles e Temer, a irresponsabilidade com a gestão das finanças do país e a desastrosa estratégia econômica para tentar barrar os efeitos da crise de 2008 estão umbilicalmente conectadas a Lula, Dilma e Guido Mantega, Ministro da Fazenda por quase dez anos.

A posição inovadora de Lula no contexto das esquerdas de que “é preciso mudar o disco” e passar a fazer uma oposição mais propositiva apenas demonstra sua habilidade de percepção da realidade política do país. Esta aptidão, aliada a sua capacidade de mobilização e inegável carisma, o tornam um adversário formidável para a próxima campanha presidencial. 

É evidente que o petista possui sérios passivos, incluindo sua idade, saúde, as inúmeras denúncias e processo judiciais em curso, bem como o grotesco erro cometido com a indicação de Dilma Rousseff para sucedê-lo. Todas estas questões podem e devem afetar a próxima campanha presidencial.

Ainda assim, os adversários que consideravam Lula carta fora do baralho cometeram um erro crasso.
 

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A política Doriana