O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

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A Greve Geral e o caos

Estradas bloqueadas, serviços de transporte público interrompidos, trabalhadores intimidados, veículos queimados, pontos de ônibus e orelhões depredados, agências bancárias apedrejadas... Em meio a uma greve geral, promovida em protesto às reformas trabalhista e previdenciária em discussão no Congresso Nacional, o Brasil viveu na última sexta-feira (29) um verdadeiro dia de caos.

Na verdade não pretendo nesse artigo debater as tais reformas que foram o tema que motivou as principais centrais sindicais do país a convocarem a greve. Entendo que são matérias extremamente sensíveis e sendo assim é absolutamente natural que tenhamos as opiniões mais diversas quanto a essa questão. Dessa forma, qualquer tipo de manifestação, seja de apoio ou de rejeição as reformas, é legítima e por isso creio ser descabida a demonização daqueles que se posicionaram favoravelmente e aderiram a paralisação.

Sou da opinião que uma greve geral, especialmente da maneira que foi promovida (sem a realização de grandes assembléias onde os trabalhadores pudessem expor seu posicionamento) é pouco construtiva e inconsistente, mas ainda assim não há razão para que tal movimento seja tratado como algo extraordinário. A própria Constituição Federal garante o direito a greve e a livre manifestação de ideias. Agora o que é inaceitável é a baderna, o vandalismo, a violência e a intimidação que vimos acontecer em todo o país.

Manifestantes podem argumentar que a polícia atuou com brutalidade, algo que é inaceitável sob quaisquer circunstâncias, mas afirmar que ação dos grevistas só se tornou agressiva em resposta a esses supostos abusos da força policial é uma farsa. Desde as primeiras horas do dia, o que se viu foi uma tentativa por parte dos militantes de se causar o maior transtorno possível, tentando assim impedir que trabalhadores que não houvessem aderido ao movimento, pudessem chegar ao seu local de trabalho.

Vias de acesso importantes de grandes cidades sendo interditadas com pneus queimados por grupos que muitas vezes não chegavam a 20 manifestantes, aeroportos sendo sitiados, pessoas impedidas de embarcar em ônibus, trens e barcas, trabalhadores sendo ameaçados e estabelecimentos comerciais sendo obrigados a fechar suas portas. Atitudes como essas, de caráter arbitrário, inconcebíveis em um estado democrático de direito, deram assim o tom do movimento e naturalmente provocaram indignação entre aqueles que de alguma forma foram afetados pelo movimento.

Os organizadores afirmam que a greve geral foi um sucesso, mas há razões para duvidar disso. Primeiramente porque, embora faltem dados confiáveis, a greve geral mobilizou menos trabalhadores que o esperado e em segundo lugar porque ao invés de sensibilizar a parcela da sociedade que se opunha ou que era indiferente ao seu movimento, eles provocaram reprovação, temor e até mesmo ojeriza.

Mais uma vez, afirmo algo que para mim já se tornou uma espécie de mantra: Não há causa justa o suficiente para que possa ser absolutamente incontestável. Assim sendo, a crença que a sociedade estará ao lado de movimentos que provocam de maneira deliberada transtornos a vida do cidadão comum é no mínimo ingênua. A liberdade de expressão é, e jamais deve deixar de ser, um direito que devemos preservar de forma implacável, mas é sempre bom lembrar daquilo que sua mãe já dizia quando você era pequenininho: O meu direito acaba onde começa o do outro e vice e versa.

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