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Aécio na berlinda

Enquanto o Brasil está ligado no processo de impeachment da Presidente Dilma, a Operação Lava Jato segue a todo vapor. As investigações continuam a avançar, diversas delações premiadas vem sendo homologadas e a cada dia surgem novos nomes envolvidos nos escândalos de corrupção analisados. Ontem, o Procurador-Geral da República (PGR), Rodrigo Janot solicitou, ao Supremo Tribunal Federal (STF), autorização para abrir quatro inquéritos, com o objetivo de investigar uma série de políticos de destaque em Brasília. Como sempre os nomes de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Renan Calheiros (PMDB-AL) encabeçavam a lista, mas o que mais chamou atenção foi o nome do Presidente do PSDB, o Senador Aécio Neves (PSDB-MG).

A base para o pedido de Janot foi a delação do Senador Delcídio Amaral (Sem Partido-MS),  homologada em Março desse ano. Segundo Delcídio, Aécio seria um dos principais beneficiários de um esquema de corrupção na Diretoria de Engenharia de Furnas desde o Governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Na verdade, a suspeita que recai sobre o Senador mineiro não é nova. O doleiro Alberto Youssef, em sua delação, já havia afirmado ter conhecimento do envolvimento do tucano no esquema. Entretanto na época, Rodrigo Janot julgou não haver provas, uma vez que Yousseff baseou-se apenas em uma história contada pelo ex-Deputado José Janene, já falecido. Dessa vez, talvez motivado pela reincidência da denúncia, o Procurador-Geral da República achou por bem solicitar a abertura de inquérito, muito embora o depoimento de Delcídio Amaral também seja baseado somente em relatos de terceiros e não apresente elementos novos ao processo. Sendo assim, a denúncia que é gravíssima, ainda é bastante insipiente, embora seja suficiente para tirar o sono do Senador mineiro.

Como era de se esperar, Aécio emitiu nota negando as acusações e afirmando que tudo não passa de estratégia do PT para "criar falsas acusações envolvendo nomes da oposição". Entretanto, o fato é que o Senador tucano, segundo colocando nas últimas eleições e derrotado por apenas 3 milhões de votos, deu espaço para que até mesmo seus próprios eleitores desconfiassem de sua conduta. Mesmo possuindo um capital político de 51 milhões de votos, Aécio tem tido uma atuação demasiadamente discreta diante do desenrolar dos capítulos mais recentes da Lava Jato. Perante um Governo extremamente fragilizado e uma Presidente isolada, o PSDB demorou demais para se decidir quanto ao apoio ao impeachment e suscitou suspeitas em relação as razões pelas quais agiu dessa maneira, especialmente após as citações sobre seu Presidente nas delações de Yosseff e Delcídio. Será que existe algum receio que o "caldo entorne" para o seu lado?

Por enquanto, não há nada de concreto em relação a uma possível participação de Aécio no tal esquema de Furnas. Aparentemente não há provas e qualquer afirmação nesse momento seria leviana. Ainda assim, espera-se que o Ministro Teori Zavarscki, responsável pela Operação Lava Jato no Supremo acate o pedido do Procurador-Geral da República e que o inquérito seja aberto. Diante da reincidência da denúncia, é necessário que essa história, independente de qual seja o seu desfecho, seja passada a limpo. Disso depende a própria credibilidade da Lava-Jato e só assim, será possível afastar em definitivo as suspeitas infundadas que a Operação tenha um viés político.

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